Pai denuncia falta de atendimento no HMIB e diz ter buscado hospital particular após espera: “Só estavam atendendo casos mais graves”

Pai denuncia falta de atendimento no HMIB e diz ter buscado hospital particular após espera: “Só estavam atendendo casos mais graves”

*Por Cintia Ferreira

O Hospital Materno Infantil de Brasília, HMIB, enfrenta novos casos de dificuldades no atendimento, em meio a um cenário de alta demanda e número reduzido de profissionais. Pacientes e familiares descrevem longas esperas e incerteza quanto à assistência, situação que tem impactado o funcionamento da unidade, referência em atendimento pediátrico no Distrito Federal.

Uma mãe buscou atendimento para a filha após encaminhamento médico, mas encontrou dificuldades para receber atendimento para a filha. Foi orientado para a responsável que apenas pacientes classificados com pulseira laranja, considerados casos mais graves, estavam sendo atendidos. Para os demais, não havia previsão definida, ficando o atendimento condicionado à eventual ampliação da equipe ao longo do dia.

A situação reforça um quadro já observado anteriormente. Registros recentes mostram episódios de insatisfação dentro do hospital, com pacientes relatando demora e falta de assistência. Os relatos indicam que o problema não é pontual, mas recorrente, especialmente em períodos de maior procura.

O modelo de classificação de risco, utilizado para priorizar casos urgentes, tende a se tornar mais restritivo quando há escassez de profissionais. Nesses casos, pacientes com quadros menos graves permanecem por longos períodos à espera de avaliação, o que pode gerar agravamento clínico e aumento da demanda reprimida.

Um pai que esteve na unidade relatou ter enfrentado situação semelhante. Após o acolhimento, sua filha recebeu pulseira amarela, mas não houve atendimento imediato. “Eu tinha acabado de ser chamado ao acolhimento, deram pulseira amarela para minha filha, ao sair me foi informado por uma funcionária de lá que atenderiam apenas pulseira laranja, pois tinham apenas um médico no local, e tinha mais de 15 pulseiras amarelas e verdes no aguardo. Falaram também que talvez à noite conseguiriam atender outras pulseiras, então basicamente falaram que só atenderiam urgências máximas e os demais que se lasquem, tive que ir atrás no particular e minha filha estava com bactéria que poderia até mesmo se transformar em bronquiolite se não tivesse ido no particular”, contou o pai revoltado com a longa espera.

O pai lembrou sobre as promessas da governadora do DF, Celina Leão, que disse destinar verbas do aniversário da cidade para transferir para a saúde. “Cortou verba do aniversário, mas não tem um médico a mais no hospital. Para onde foi esse dinheiro, será?” afirmou o pai da criança.

Segundo ele, havia apenas um pediatra disponível no momento. Diante da demora, optou por procurar atendimento na rede privada para evitar complicações no quadro de saúde da filha.

O cenário também evidencia a sobrecarga das equipes de saúde. Com efetivo reduzido, médicos, enfermeiros e técnicos precisam priorizar atendimentos mais graves, o que limita a capacidade de resposta da unidade e amplia o tempo de espera para outros pacientes.

Embora o direito à saúde seja garantido pela Constituição e pelo Sistema Único de Saúde, a realidade enfrentada por usuários do HMIB aponta desafios na oferta do serviço. A situação reforça a necessidade de medidas voltadas à recomposição de equipes e à melhoria da estrutura de atendimento.

Até a última atualização, não havia posicionamento oficial sobre os relatos.

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