Operação da PCDF desarticula esquema que desviava remédios de alto custo e apreende carga milionária

Operação da PCDF desarticula esquema que desviava remédios de alto custo e apreende carga milionária

*Por Cintia Ferreira

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) desarticulou uma organização criminosa especializada no furto, desvio e revenda ilegal de medicamentos de alto custo usados no tratamento de câncer, doenças autoimunes e pacientes transplantados. A ação faz parte da Operação Alto Custo, conduzida pela 10ª Delegacia de Polícia (Lago Sul).

Durante a operação, foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão preventiva. A investigação, que durou cerca de um ano, revelou um esquema sofisticado de “lavagem de medicamentos”, com atuação no Distrito Federal e ramificações em Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.

De acordo com a PCDF, o grupo contava com empresas de fachada e a cooptação de funcionários de distribuidoras para desviar os produtos. Os medicamentos eram retirados dos estoques e escondidos em caixas destinadas ao descarte. Em seguida, eram transportados e reinseridos no mercado por meio de notas fiscais falsas, dando aparência de legalidade.

Um dos principais núcleos da organização estava sediado em Goiânia. As investigações também identificaram que uma das distribuidoras lesadas fica no Distrito Federal.

Durante as diligências, a polícia interceptou uma carga roubada no Rio de Janeiro que seria comercializada ilegalmente. O material foi apreendido no Aeroporto Internacional de Brasília e incluía 493 caixas do medicamento Upadacitinibe, avaliadas em cerca de R$ 4 milhões.

Segundo a PCDF, os medicamentos desviados são de altíssimo valor e incluem substâncias como Venclexta, utilizado no tratamento de cânceres sanguíneos; Libtayo, indicado para imunoterapia; Reblozil, usado em pacientes com distúrbios hematológicos; Imbruvica, voltado para cânceres do sangue; e Tagrisso, indicado para câncer de pulmão. Em apenas uma distribuidora, o prejuízo estimado chega a cerca de R$ 6 milhões.

As investigações apontam ainda que a organização movimentou aproximadamente R$ 22 milhões em um ano, utilizando notas fiscais frias para “esquentar” os medicamentos e viabilizar a revenda para instituições de saúde.

Além do impacto financeiro, a polícia destaca o risco direto à saúde dos pacientes. Muitos desses medicamentos exigem armazenamento sob refrigeração constante. Sem esse controle, podem perder a eficácia, tornando-se ineficazes ou até tóxicos.

Para os investigadores, o crime vai além de um esquema financeiro e representa uma ameaça grave à vida de pessoas em tratamento de doenças graves, que dependem desses medicamentos para sobreviver.

Os envolvidos devem responder por furto qualificado, receptação qualificada, organização criminosa e também pelo artigo 273 do Código Penal, que trata da falsificação ou adulteração de produtos destinados a fins terapêuticos — considerado crime hediondo.

A operação contou com apoio da Receita Federal, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), da Polícia Civil de Goiás e das vigilâncias sanitárias de Goiânia e do Entorno, reforçando o combate ao comércio ilegal de medicamentos no país.

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