Eleitores invisíveis: quem são os moradores do Entorno que votam no DF?

Eleitores invisíveis: quem são os moradores do Entorno que votam no DF?

Mesmo sem dados sólidos, milhares de moradores do Entorno ainda votam no Distrito Federal. Está é uma limitação metodológica relevante que dificulta a precisão eleitoral na região do Entorno do Distrito Federal. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não divulga, nas consultas públicas padrão, informações que cruzem a residência real do eleitor com o domicílio eleitoral registrado em outra unidade da federação.

Apesar dessa lacuna, dados socioeconômicos ajudam a traçar o perfil da região. O Entorno do DF é marcado por população relativamente jovem, forte migração e renda inferior à média de Goiás. A economia local apresenta peso significativo da administração pública e elevada dependência funcional do Distrito Federal.

Na região do Entorno, formada por 11 municípios, vivem 1,19 milhão de pessoas — o equivalente a 17,2% da população goiana. Ainda assim, a região responde por apenas 9,2% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual. Em sete desses municípios, a administração pública é a principal atividade econômica.

A integração com Brasília é intensa. Dados do Ipea indicam que 41,4% dos trabalhadores do Entorno têm emprego no DF. Em cidades como Águas Lindas, Novo Gama, Valparaíso e Cidade Ocidental, mais da metade da população ocupada trabalha na capital federal.

Essa relação também se estende a serviços essenciais. Cerca de 20 mil estudantes do Entorno frequentam escolas públicas no DF. Na saúde, o fluxo é ainda mais expressivo: mais de 271 mil moradores recorrem ao sistema da capital, que concentra atendimentos de maior complexidade.

Especialistas apontam que esse contexto pode ter reflexos no comportamento eleitoral. Moradores que vivem em Goiás, mas mantêm título de eleitor no DF, costumam ter uma rotina dividida entre os dois territórios. Esse grupo tende a ser mais sensível a temas como transporte interestadual, mobilidade urbana, acesso à saúde em Brasília e segurança nos deslocamentos diários.

A hipótese é que esses eleitores apresentem um perfil de voto menos ligado a pautas municipais e mais orientado por questões metropolitanas. No entanto, essa inferência não pode ser confirmada diretamente com os dados públicos disponíveis. Por isso, muitos pré-candidatos, depositam suas atenções a população do Entorno, para conquistar cada voto e sair na frente. Uma agenda que seja estendida ao território do Distrito Federal é bastante decisivo nessa narrativa.

O padrão eleitoral observado no DF em 2022 oferece um indicativo indireto. O cenário foi favorável ao campo de centro-direita, com a reeleição do governador Ibaneis Rocha (MDB) no primeiro turno e a eleição de Damares Alves (Republicanos) ao Senado. Ao mesmo tempo, a esquerda manteve presença relevante, com nomes como Erika Kokay (PT) e Fábio Félix (PSOL) entre os mais votados.

Raio-X demográfico e econômico
A juventude é uma das marcas da região. Em Águas Lindas, 44,6% da população tem até 24 anos, enquanto apenas 8% têm mais de 60. Em Luziânia, esses percentuais são de 40,4% e 13%, respectivamente. Já em Cristalina, 42,6% têm até 24 anos.

Na economia, o PIB per capita é inferior à média estadual na maioria dos municípios. Águas Lindas, Novo Gama e Santo Antônio do Descoberto registram valores entre R$ 9 mil e R$ 10 mil. Planaltina chega a cerca de R$ 14 mil e Valparaíso a R$ 15,6 mil. Cristalina é exceção, com R$ 55,6 mil, impulsionada pela produção agrícola.

Mobilidade e serviços
O grau de integração com Brasília varia dentro do próprio Entorno. Municípios como Águas Lindas (59%), Novo Gama (57,4%) e Valparaíso (cerca de 55%) concentram altos índices de trabalhadores que se deslocam diariamente ao DF. Já cidades como Cristalina, Formosa e Alexânia têm menos de 10% da população ocupada trabalhando na capital.

Na educação, mais de 20 mil moradores estudam na rede pública do DF, com destaque para Novo Gama, Valparaíso e Águas Lindas. Na saúde, cerca de 26% dos atendimentos buscados por moradores do Entorno ocorrem em Brasília — percentual que chega a 69% em Novo Gama.

É fato de que os aspirantes ao cargo de governador (a) do Distrito Federal, precisam gastar sola de sapato e percorrer os principais municípios do Entorno em busca de alianças e apresentar planos de governos afim de convencer o eleitorado que busca qualidade de vida entre DF e GO.

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