Vendaval deixa cinco mortos no Sudeste e provoca apagões, transtornos e danos à infraestrutura
Vendaval deixa cinco mortos no Sudeste e provoca apagões, transtornos e danos à infraestrutura Brasília Os fortes ventos que atingiram os …
Vendaval deixa cinco mortos no Sudeste e provoca apagões, transtornos e danos à infraestrutura
Brasília Os fortes ventos que atingiram os estados de São Paulo e do Rio de Janeiro nesta quinta-feira (30) provocaram ao menos cinco mortes, deixaram milhares de imóveis sem energia elétrica e interromperam serviços de transporte, além de causar quedas de árvores, postes e muros. As rajadas chegaram a 124,9 km/h no interior paulista e ultrapassaram os 100 km/h no litoral, evidenciando os impactos de eventos climáticos extremos sobre áreas urbanas.
Em São Paulo, três pessoas morreram durante o vendaval. Em Santos, um homem em situação de rua foi atingido pela queda de uma árvore. Em Cesário Lange, na região de Sorocaba, o motorista de um carro morreu depois que outra árvore caiu sobre o veículo. Já em São Sebastião, um pescador perdeu a vida após o naufrágio da embarcação em que estava.
No Rio de Janeiro, duas pessoas morreram no bairro de Santa Teresa em decorrência da queda de um muro. As autoridades também informaram o desaparecimento de uma pessoa.
Os ventos causaram prejuízos em diversas cidades dos dois estados. No litoral paulista, as operações do Porto de Santos foram interrompidas por mais de quatro horas. As travessias de balsas entre Santos e Guarujá e entre Ilhabela e São Sebastião também foram suspensas devido às condições meteorológicas.
Na capital paulista, milhares de consumidores ficaram sem fornecimento de energia elétrica, enquanto voos foram cancelados nos aeroportos da cidade.
No Rio de Janeiro, bairros de diferentes regiões registraram falta de energia. A Light informou que uma ocorrência externa ao sistema afetou o abastecimento e que equipes foram mobilizadas para restabelecer o serviço. O funcionamento das três linhas do MetrôRio também foi interrompido durante a tarde.
Segundo a Infraero, o Aeroporto Santos Dumont suspendeu as operações no fim da tarde. No Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão), quatro aeronaves que tinham o terminal como destino precisaram ser desviadas.
O Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro realizou 26 salvamentos de pessoas, atendeu quatro ocorrências de desabamento e cerca de 30 chamados relacionados à queda de árvores. Diante da situação, a Prefeitura do Rio decretou Estágio Dois, nível que indica risco de ocorrências com impacto significativo na cidade.
Plano para enfrentar os efeitos do El Niño
Enquanto o Sudeste enfrentava os efeitos do vendaval, o governo federal anunciou um plano de R$ 1,335 bilhão para ações de prevenção e resposta aos impactos do fenômeno climático El Niño.
A estratégia será coordenada pela Sala de Situação do El Niño, composta por 24 ministérios e órgãos federais responsáveis pelo monitoramento climático, defesa civil, saúde, abastecimento, energia e fiscalização ambiental.
Do total previsto, R$ 998 milhões serão destinados a ações de segurança alimentar, abastecimento, saúde e monitoramento hidrológico. Outros R$ 337 milhões, autorizados por medida provisória, serão aplicados em fiscalização ambiental e prevenção e combate aos incêndios florestais.
Entre as principais medidas está a aquisição de estoques públicos de alimentos, com investimento de R$ 850 milhões para compra de milho e arroz. Também estão previstos recursos para distribuição de cestas de alimentos a populações vulneráveis, fortalecimento da Força Nacional do SUS, monitoramento dos níveis dos rios e ampliação das ações de combate aos incêndios.
Segundo a ministra-chefe da Casa Civil, Miriam Belchior, os impactos do El Niño deverão variar conforme a região do país. No Norte e Nordeste, a previsão é de estiagem e redução da disponibilidade hídrica. No Centro-Oeste e no Sudeste, os principais riscos são atraso das chuvas, ondas de calor e aumento da incidência de incêndios florestais. Já na Região Sul, a expectativa é de chuvas acima da média, com maior possibilidade de enchentes e deslizamentos de terra.
A ocorrência do vendaval no Sudeste reforça o desafio enfrentado pelas cidades brasileiras diante da intensificação dos eventos climáticos extremos, exigindo investimentos permanentes em infraestrutura, monitoramento meteorológico, sistemas de alerta e ações preventivas para reduzir os impactos sobre a população.



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