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Missão do Sebrae leva empresários do DF à maior feira de alimentos da América Latina | ASN Distrito Federal

Lima, capital do Peru e um dos principais polos da América do Sul quando o assunto é alimentação, recebeu, entre os dias 21 e 26 de setembro, um grupo de empresários apoiados pelo Sebrae no Distrito Federal. A iniciativa fez parte de uma missão empresarial promovida pela instituição em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a Federação das Indústrias do DF (Fibra), e reuniu representantes de 10 empresas da cadeia produtiva de alimentos e bebidas do DF.

O ponto alto da missão foi a participação dos empresários na Expoalimentaria, a principal feira internacional de alimentos e bebidas da América Latina. Realizada anualmente na capital peruana, a feira funciona como a plataforma de negócios mais importante da região e conecta produtores e exportadores latino-americanos com compradores, distribuidores e redes de varejo de todo o mundo.

Em 2025, por exemplo, a feira contou com cerca de 700 expositores e mais de 40 mil visitantes profissionais, o que gerou um expressivo volume de negócios internacionais.

Os empresários que participaram da missão também realizaram visitas técnicas em unidades de dois grandes supermercados peruanos, o Plaza Vea e o Vivanda Pardo, em Miraflores, o distrito mais famoso, sofisticado e turístico de Lima.

Foto: Divulgação

Em cada ocasião, eles foram apresentados a informações sobre tendências do varejo, hábitos dos consumidores, categorias de maior demanda e critérios para seleção de fornecedores e aquisição de alimentos. Durante as visitas, os empresários observaram aspectos como concorrência, embalagens, preços, comunicação visual, exposição e posicionamento dos produtos nas gôndolas. Também conheceram requisitos de fornecimento ao varejo e questões relacionadas à importação, informações que podem orientar a adaptação das estratégias comerciais para o mercado peruano.

O grupo de empresários ainda participou de uma agenda institucional na Embaixada do Brasil em Lima. Na ocasião, um especialista com experiência no mercado local apresentou oportunidades para produtos brasileiros, perfil de consumo e faixas de renda, canais de distribuição, processos de importação e exigências regulatórias. Também foram abordadas barreiras comerciais e sanitárias e boas práticas para ingressar e se consolidar no país.

À frente da operação do Café Grão Nativo, Núcia Maria Oliveira Cenci integrou o grupo de empresários que viajaram até a capital peruana. Ela conta que a relação com o cultivo do café no Distrito Federal foi iniciada em 2014, quando, em parceria com o marido, comprou uma propriedade rural na região do Núcleo Rural Jardim II, no PAD/DF. À época, a plantação e a infraestrutura para a produção já estavam estabelecidas no local e, mesmo sem nunca ter trabalhado com a cultura antes, os dois mergulharam no universo cafeeiro, produzindo café para a marca de terceiros.

Foto: Divulgação

A trajetória mudou a partir de 2021. Depois de sete anos produzindo café e acumulando experiência no mercado, o casal lançou a própria marca e passou a comercializar cafés especiais. Eles também seguem vendendo o café cru, aquele que ainda não foi torrado, para empresas de trading — intermediárias que compram o produto no Brasil e o revendem no mercado internacional — e para grandes empresas do setor, como a Starbucks.

Durante a estadia em Lima, Núcia aproveitou cada momento para mapear o mercado e estabelecer novos contatos. Nas visitas técnicas aos supermercados, por exemplo, observou que as prateleiras estavam dominadas por café peruano moído, tradicional e extraforte, perfil que, na avaliação dela, não é o do seu público. O cenário nas ruas da cidade, no entanto, era diferente e atrativo. Ela percebeu que havia inúmeras cafeterias com foco em especialidades e que a presença brasileira ainda era bem discreta, o que pode representar um nicho a ser explorado.

“Vejo muito potencial de crescimento para os cafés especiais, que agregam mais valor e são de melhor qualidade. Enxergo isso como uma grande oportunidade”, avalia.

Já na Expoalimentaria, Núcia notou que o interesse veio de onde ela menos esperava. Compradores da Arábia Saudita entraram em contato para agendar uma reunião e conhecer melhor a produção do Café Grão Nativo. Um empresário peruano também se mostrou interessado e tem mantido contato após a feira. Ele planeja trazer importadores e distribuidores a Brasília. Além disso, a empresária iniciou contatos com outro empresário local para entrar no mercado peruano de cafés especiais.

Com as conversas para internacionalizar a marca alcançando níveis cada vez mais avançados, Núcia salientou que a oportunidade de participar da feira e das demais atividades em Lima só foi possível com o suporte ofertado pelas instituições envolvidas na missão. “Como pequeno produtor, sem esse apoio fica muito difícil competir com as grandes marcas. Elas vão sozinhas a esses eventos”, pontuou a empresária.

Outro empresário presente no grupo apoiado pelo Sebrae no DF foi Fabiano Martins, diretor operacional da SustenAgro, uma indústria de beneficiamento de resíduo de coco que o transforma em substratos personalizados para cultivo, de acordo com a demanda de cada cliente.

A empresa nasceu da própria rotina de produtor rural. Fabiano cultivava mirtilo e utilizava o substrato de casca de arroz, que absorvia pouca água. Por indicação de um consultor, passou a estudar o substrato de coco, mais eficiente, porém caro e difícil de encontrar. Após quatro anos de pesquisa para dominar o processo, que exige retirar sal e tanino do material, ele criou a SustenAgro e hoje atende produtores em todo o Brasil.

Em Lima, durante as visitas às redes de supermercados, Fabiano aproveitou para pesquisar preços, verificar a concorrência e ter noção de como precificar o produto. Embora as redes ainda não vendam substratos, ele identificou espaço para inserir o produto nas linhas de produtos que elas já comercializam.

Na Expoalimentaria, Fabiano participou de uma rodada de negócios e fez contato com um cliente de grande porte, que demonstrou interesse em um volume expressivo do produto. Segundo o empresário, o Peru produz em larga escala cultivos que utilizam substrato de coco, mas atualmente importa o insumo de países da Ásia, como Malásia e Indonésia. Diante disso, ele acredita que a proximidade geográfica com o Brasil, o preço mais competitivo e a logística mais rápida colocam sua empresa em vantagem.

Ao fim da missão, o balanço superou o planejado. Foram 16 clientes que solicitaram orçamento durante a feira. “Quando saímos do DF, eu já tinha uma possível venda para lá e estava indo com o pensamento em finalizar. Não imaginava que teria tantas outras oportunidades para entrar no mercado peruano”, relata.

Com a alta demanda, o empresário já projeta abrir mais uma unidade da fábrica e ampliar a produção para atender o mercado peruano. “Depois dessa feira, nossa empresa está mudando de patamar. Não temos palavras para expressar a nossa gratidão ao Sebrae e ao Mapa por essa missão”, conclui Fabiano.

Para Lilian Rosa, analista da Assessoria de Políticas Públicas e Ecossistemas de Negócios e gestora de projetos de internacionalização e comércio exterior do Sebrae no DF, a missão empresarial a Lima cumpriu o objetivo e deixou um saldo positivo.

Foto: Divulgação

“A Expoalimentaria não funcionou apenas como uma feira, mas como uma plataforma estratégica capaz de acelerar a internacionalização de marcas. Ao longo desses dias, nossos empreendedores tiveram a oportunidade única de dialogar com players do mundo inteiro. O resultado direto dessa imersão será a quebra das fronteiras do DF, estabelecendo relações comerciais sólidas não apenas com o mercado peruano, mas com diversas outras nacionalidades”, explica Lilian.

“É justamente por isso que consideramos fundamental inserir os pequenos empresários em um evento dessa magnitude”, completa a gestora.

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Créditos das Notícias Sebrae DF

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