Da ascensão ao cerco da PF: a queda de Cláudio Castro no Rio

Da ascensão ao cerco da PF: a queda de Cláudio Castro no Rio

O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) voltou ao centro das atenções nesta sexta-feira (15), após ser alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga supostas fraudes fiscais ligadas à Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, apontada como uma das maiores devedoras de impostos do país.

Agentes da PF cumpriram mandado de busca e apreensão na residência do ex-governador durante a Operação Sem Refino. A decisão foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A defesa de Castro informou que ainda não havia sido oficialmente comunicada sobre os detalhes da investigação.

A operação acontece poucos meses após o fim da passagem de Cláudio Castro pelo Palácio Guanabara, uma trajetória marcada por ascensão rápida na política fluminense, disputas judiciais, crise sanitária e operações policiais de alta letalidade.

Natural de Santos, no litoral paulista, Castro se mudou ainda criança para o Rio de Janeiro. Formado em Direito, também atuou como músico e evangelizador católico antes de entrar definitivamente na vida pública.

A carreira política começou nos bastidores, em 2004, como chefe de gabinete do então vereador Márcio Pacheco. Posteriormente, acompanhou o político na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e também teve passagem pela Câmara dos Deputados, em Brasília.

O primeiro cargo eletivo veio em 2016, quando foi eleito vereador do Rio pelo PSC. Na Câmara Municipal, integrou a Mesa Diretora como segundo secretário.

A projeção estadual surgiu em 2018, ao ser eleito vice-governador na chapa de Wilson Witzel. Menos de dois anos depois, assumiu o comando do estado de forma interina após o afastamento de Witzel pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), em meio a investigações relacionadas a contratos da Saúde durante a pandemia da Covid-19.

Com o impeachment do então governador aprovado pela Alerj, Cláudio Castro tomou posse oficialmente em maio de 2021.

A gestão começou em um dos momentos mais críticos da pandemia. Castro se posicionou contra medidas mais rígidas de isolamento social e entrou em conflito com prefeitos que defendiam restrições para conter o avanço da Covid-19.

Apesar das divergências políticas, participou publicamente da campanha de vacinação e recebeu a primeira dose da vacina contra o coronavírus em julho de 2021.

Na segurança pública, o governo ficou marcado por operações policiais que tiveram forte repercussão nacional pelo número de mortos.

Ainda em 2021, uma operação na comunidade do Jacarezinho terminou com 28 mortes e se tornou uma das ações policiais mais letais da história do estado até então.

Em 2022, outra operação na Vila Cruzeiro deixou 23 mortos. Já em outubro de 2025, uma megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão terminou com 122 mortos, incluindo cinco policiais. A ação foi considerada a mais letal da história das forças de segurança do Rio.

Na época, o governo afirmou que o alvo eram integrantes do Comando Vermelho escondidos nas comunidades. Mesmo diante das críticas sobre a alta letalidade, Cláudio Castro classificou a operação como “um sucesso”.

Em meio ao cenário político turbulento, Castro conseguiu se reeleger governador em 2022, ainda no primeiro turno, com quase 60% dos votos válidos.

O fim da passagem pelo governo aconteceu em março deste ano. O então governador renunciou ao cargo um dia antes do julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que analisava acusações de abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.

Mesmo após a renúncia, o processo foi concluído pela Corte Eleitoral, que decidiu tornar Cláudio Castro inelegível por cinco votos a dois.

Após a condenação, o ex-governador afirmou ter recebido a decisão com “grande inconformismo” e declarou acreditar que governou o estado “dentro da legalidade e com absoluto compromisso com a população”.

Castro recorreu da decisão.

Com a saída do governador e a ausência de vice-governador, o comando do estado foi assumido interinamente pelo presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), desembargador Ricardo Couto.

O então vice na linha sucessória, Thiago Pampolha, havia deixado o cargo anteriormente para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). Já o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, também estava afastado por decisão judicial.

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