Crise após denúncia de espionagem provoca debandada de servidores na Câmara Legislativa do DF
A suspeita de espionagem dentro da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) desencadeou uma crise interna que já resultou na saída de ao menos 20 servidores ligados à área de tecnologia da informação da Casa.
Os pedidos de exoneração foram formalizados nesta quinta-feira (14), por meio de um documento assinado por funcionários de diferentes setores técnicos da Câmara.
No texto, os servidores relatam “pressão excessiva, insegurança funcional, deterioração do clima organizacional e sucessivos episódios de desconfiança institucional”.
A crise começou após a abertura de uma investigação interna sobre uma denúncia anônima registrada na Ouvidoria da CLDF. O relato apontava supostos comportamentos suspeitos nos computadores corporativos e instabilidade na rede de internet da Casa, levantando a hipótese de possível espionagem ou grampeamento de equipamentos.
Os pedidos de exoneração envolvem servidores de áreas consideradas estratégicas para o funcionamento da Câmara, incluindo:
Infraestrutura de tecnologia da informação;
Administração de sistemas;
Inovação e inteligência de dados;
Atendimento e cultura digital;
Gestão de contratos de TI.
Segundo o documento, o principal motivo da saída coletiva foi a forma como responsabilidades passaram a ser atribuídas individualmente durante a apuração do caso, sem considerar o contexto técnico e operacional das atividades desempenhadas pelos servidores.
Os funcionários afirmam que o ambiente de trabalho se tornou incompatível com a permanência em cargos de confiança. “O atual ambiente tornou-se incompatível com a continuidade do exercício de funções comissionadas de confiança”, diz trecho do memorando.
O documento também destaca que as equipes atuavam em atividades de alta complexidade, frequentemente em regime de plantões informais e atendimentos emergenciais.
Após a denúncia, o presidente da Câmara Legislativa, deputado Wellington Luiz (MDB), determinou a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) e informou que a Polícia Civil também seria acionada para investigar o caso.
Entre as primeiras medidas adotadas pela Casa, o diretor de Modernização e Inovação Digital, Walerio Oliveira Campôres, foi afastado por 60 dias. Já o chefe de Infraestrutura de Tecnologia da Informação, Pedro Cunha Rego Celestin, foi exonerado.
Em nota oficial, a Câmara Legislativa informou que a investigação está sendo conduzida pela Comissão de Processo Disciplinar e Tomada de Contas Especial (CPTCE), que terá prazo inicial de 60 dias para concluir os trabalhos, podendo haver prorrogação pelo mesmo período.
A CLDF afirmou ainda que não fará manifestações enquanto as apurações estiverem em andamento.



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