Operação da PCDF desarticula grupo suspeito de aplicar fraude milionária com uso de “laranjas” no DF

Operação da PCDF desarticula grupo suspeito de aplicar fraude milionária com uso de “laranjas” no DF

*Por Cintia Ferreira

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, nesta sexta-feira (8), a Operação Vitruvio, que desarticulou uma organização criminosa suspeita de aplicar fraudes milionárias por meio da utilização de “laranjas” para obtenção de crédito e aquisição de veículos.

Segundo as investigações conduzidas pela 8ª Delegacia de Polícia, na Estrutural, pelo delegado Rafael Catunda, grupo atuava há mais de cinco anos e utilizava documentos falsificados para criar perfis financeiros artificiais em nome de pessoas em situação de vulnerabilidade social.

De acordo com a PCDF, os suspeitos recrutavam pessoas de baixa renda, forneciam comprovantes falsos de renda e residência e conduziam as vítimas à abertura de contas bancárias e contratação de consórcios em fase avançada.

A investigação aponta que o esquema funcionava de forma contínua e “autoalimentada”. Os criminosos utilizavam empréstimos obtidos nas contas abertas em nome dos “laranjas” para financiar novos lances em consórcios vinculados a outras vítimas, ampliando o alcance da fraude e os prejuízos financeiros.

Após a liberação das cartas de crédito, veículos eram comprados e revendidos rapidamente com valores abaixo do mercado. As parcelas deixavam de ser pagas, enquanto as dívidas permaneciam vinculadas aos contratantes formais, segundo a polícia.

Grupo tinha estrutura familiar

As investigações revelaram que a organização possuía uma estrutura familiar articulada. Segundo a PCDF, duas irmãs ocupavam posições centrais no esquema, contando ainda com a participação de companheiros e ex-companheiros na divisão das funções criminosas.

Os suspeitos investigados têm idades entre 20 e 60 anos e atuavam em diferentes níveis dentro da organização.

Durante a operação, agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em Ceilândia, Taguatinga, Guará, Vicente Pires e Águas Lindas de Goiás.

Também foram expedidos mandados de prisão contra cinco investigados: uma mulher de 37 anos e quatro homens, de 31, 33, 29 e 39 anos.

A ação resultou na apreensão de veículos adquiridos com recursos provenientes das fraudes, além de armas de fogo encontradas com integrantes do grupo. A Justiça também determinou o bloqueio de mais de R$ 11 milhões em contas bancárias ligadas aos investigados.

Segundo a PCDF, os bens apreendidos poderão ser utilizados futuramente para ressarcimento parcial dos prejuízos causados às vítimas e às instituições financeiras.

Os envolvidos poderão responder pelos crimes de estelionato, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Somadas, as penas podem ultrapassar 20 anos de prisão, conforme a participação individual de cada investigado.

A operação contou com apoio do Departamento de Operações Especiais (DOE), do Detran-DF e da área de inteligência de uma instituição financeira que auxiliou na identificação do esquema.

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