Justiça condena envolvidos na maior chacina do DF após julgamento histórico de seis dias

Justiça condena envolvidos na maior chacina do DF após julgamento histórico de seis dias

BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto


Após seis dias de julgamento, o Tribunal do Júri de Planaltina condenou os cinco acusados pelo assassinato de 10 pessoas de uma mesma família, crime considerado a maior chacina da história do Distrito Federal. O caso, ocorrido entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023, teve como motivação principal a disputa por um terreno avaliado em cerca de R$ 2 milhões, no Itapoã.

Entre os condenados está Gideon Batista de Menezes, apontado como um dos mentores do plano. Ele foi sentenciado a 397 anos, oito meses e quatro dias de prisão, além de outras penalidades. Segundo as investigações, Gideon trabalhava na chácara da família e participou diretamente da elaboração do crime, embora tenha alegado em juízo que confessou sob coação.

Horácio Carlos Ferreira Barbosa, também envolvido diretamente nas execuções, recebeu pena superior a 300 anos de prisão. De acordo com o Ministério Público, ele participou dos sequestros, se passou por vítima em um falso assalto e ajudou a ocultar os corpos.

Carlomam dos Santos Nogueira, que confessou participação e chegou a ficar foragido, foi condenado a mais de 351 anos de reclusão. Já Fabrício Silva Canhedo, acusado de auxiliar na vigilância do cativeiro e ocultação de provas, recebeu pena de mais de 202 anos.

O quinto réu, Carlos Henrique Alves da Silva, teve participação menor reconhecida pelo júri. Ele foi absolvido de um dos homicídios, mas condenado a dois anos de prisão por envolvimento em parte das ações criminosas.

O julgamento, iniciado em 13 de abril, é considerado um dos mais longos já realizados no DF, com oitiva de 18 testemunhas, interrogatório dos réus e cerca de sete horas de debates entre acusação e defesa.

As investigações apontaram que as vítimas foram atraídas para emboscadas ao longo de vários dias. Os criminosos utilizavam celulares das próprias vítimas para enganar outros familiares, levando-os até o cativeiro montado em Planaltina. Após os assassinatos, houve ocultação de cadáveres, com práticas como esquartejamento e incêndio de corpos e veículos.

Entre as vítimas estão homens, mulheres e três crianças, o que aumentou a comoção e a repercussão nacional do caso. A intenção do grupo era eliminar todos os herdeiros para assumir a posse da propriedade rural, que, na verdade, estava em disputa judicial e não pertencia legalmente à família.

Os condenados responderam por diversos crimes, incluindo homicídio qualificado, latrocínio, extorsão mediante sequestro, ocultação de cadáver e associação criminosa. A decisão marca o desfecho judicial de um dos casos mais brutais já registrados na capital do país.

Redação Sua Capital

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