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Premiações do Sebrae reconhecem o trabalho de artesãos e manualistas com atuação no DF | ASN Distrito Federal

Espaço que reúne traços da arquitetura modernista e a memória afetiva de Brasília, a Casa do Candango abriu suas portas na noite desta segunda-feira, 5 de outubro, para receber as cerimônias de premiação da 6ª edição do Prêmio Brasília de Artesanato e da 5ª edição do Prêmio Brasília Manualistas.

Ambas as iniciativas são promovidas pelo Sebrae no Distrito Federal, em parceria com a Secretaria de Estado de Turismo do Distrito Federal (Setur/DF) e o Instituto BRB, e voltadas a profissionais que atuam na capital. As ações buscam fortalecer a produção artesanal brasiliense, estimular a inovação em técnicas e processos e reconhecer o artesanato como manifestação da identidade cultural e vetor da economia criativa.

A diretora técnica do Sebrae no Distrito Federal, Diná Ferraz, abriu as cerimônias com uma mensagem de agradecimento às parcerias das instituições que acreditam na força do trabalho de artesãos e manualistas da capital.

A dirigente comentou o alto nível das peças inscritas para concorrer aos prêmios e observou que os trabalhos carregam significados que vão além da função ou da estética e expressam identidades, preservam saberes e traduzem histórias, afetos e referências culturais. “Ao conferir os trabalhos, é possível ver o que há de mais legítimo no ser humano: o sentimento, a emoção, a memória, o desafio e a luta. Percebemos que o artesão e o manualista superam obstáculos e mostram o seu melhor por meio da arte. É motivo de honra e encantamento observar o potencial do DF no artesanato e no manualismo. É sempre impressionante”, afirmou.

Diná ainda foi enfática ao falar que a premiação e o apoio ofertado pelas instituições ampliam oportunidades e garantem dignidade e autonomia a muitas pessoas nas regiões administrativas do DF. “Hoje é um momento de premiar, reconhecer talentos e mostrar que vale a pena investir na arte. O trabalho feito à mão impacta vidas e comunidades, sendo um pilar fundamental para a geração de renda e valorização do indivíduo”, completou a dirigente.

Foto: Renato Alves | Ascom Sebrae no DF

Também presente à solenidade, a diretora de Administração e Finanças do Sebrae no DF, Adélia Bonfim, falou do carinho especial que nutre pelas iniciativas e apontou a importância de fomentar o talento local para fortalecer a economia criativa da região. “Entre tantos prêmios da instituição, este desperta uma emoção diferente, pois representa muito mais do que a técnica. Ao ouvir o depoimento de cada artista, percebe-se um sentimento profundo, no qual é possível enxergar um pouco de si, da família e da nossa região. A arte manifestada neste prêmio é extraordinária”, pontuou.

O presidente do Instituto BRB, Adjanyo da Costa Santos, foi outro a enaltecer o nível dos trabalhos inscritos nessa edição. Para ele, as premiações carregam um peso especial para a instituição, que enxerga no feito à mão um caminho para gerar renda e autonomia financeira. “Há vários trabalhos magníficos. O Prêmio Brasília de Artesanato e o Prêmio Brasília Manualistas são extremamente importantes e, aos poucos, estão se tornando um patrimônio da nossa cidade. São meios de fortalecer a empregabilidade e a renda e de proporcionar liberdade financeira às pessoas, bandeiras que o Instituto e o BRB buscam sempre levantar, ao lado do Sebrae”, enfatizou.

Foto: Renato Alves | Ascom Sebrae no DF

A subsecretária de Programas e Ações Integradas às Regiões Administrativas, Lucélia Pereira Roriz, foi a voz da Setur/DF na cerimônia e valorizou a solidez da parceria com o Sebrae como um pilar de fomento à excelência e à valorização do fazer artístico. Ela ainda reafirmou o papel do artesanato na consolidação da imagem de Brasília perante o mundo. “Os artesãos de Brasília se destacam e são parte do nosso patrimônio. Vivemos em uma cidade que respira criatividade, e o Brasil e o mundo reconhecem a força e a identidade do trabalho artesanal que emana do nosso território”, ressaltou.

Quem também prestigiou a solenidade foi o presidente da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater/DF), Cleison Duval. Ele lembrou que o artesanato transforma a vida das pessoas na área rural, sobretudo a das mulheres, ao levar renda às famílias. Em muitos casos, segundo ele, o ganho com a atividade supera até o da produção agrícola. “Cuidar da arte é cuidar da cultura. A arte preserva a cultura, e a continuidade desse trabalho é muito importante, porque, sem ela, as pessoas ficam perdidas e esquecidas. Precisamos resgatá-las e dar oportunidade para que mostrem a sua capacidade e a arte que cada uma carrega com o seu dom”, concluiu.

Foto: Renato Alves | Ascom Sebrae no DF

O analista da Gerência de Negócios em Rede e gestor do projeto de Artesanato do Sebrae no DF, Felipe Fernandes, detalhou os números registrados em ambas as premiações. Foram 599 inscrições no Prêmio Brasília de Artesanato e 190 no Prêmio Brasília Manualistas, somando 789 trabalhos, além de mais de 70 mil votos do público.

Além dos números, o gestor também salientou o alto nível dos trabalhos apresentados é resultado da ação promovida pelo Sebrae em regiões administrativas do DF ao longo do ano. O Sebrae no DF, na qualidade de instituição organizadora, implementou a mesma metodologia utilizada no ano passado dividindo as regiões administrativas em sete Unidades de Artesanato Sebrae (UAS). Essa segmentação garantiu que, na primeira fase do concurso, os participantes competissem dentro de suas respectivas unidades, assegurando a representatividade de cada região com ao menos um finalista no evento de premiação.

Foto: Renato Alves | Ascom Sebrae no DF

Para o gestor, a qualidade das peças cresce a cada edição e todas as finalistas mereciam estar na exposição. “A cada ano, as peças ficam mais bonitas. Algumas têm uma representatividade cultural muito forte, outras têm uma perspectiva comercial mais forte, e a ideia é alcançar cada vez mais esse equilíbrio para que estes prêmios que realizamos em Brasília se torne referência no cenário brasileiro”, avaliou Felipe.

Artesãos em início de carreira foram os primeiros premiados

Os primeiros vencedores a serem revelados durante a cerimônia foram os inscritos no Prêmio Brasília de Artesanato. Na categoria Artesão Iniciante, destinada a quem possui Carteira Nacional do Artesanato emitida há menos de três anos, o grande vencedor foi o peruano radicado no Plano Piloto Christian Fernando Gutierrez Vera.

Foto: Renato Alves | Ascom Sebrae no DF

O artesão contou que começou a trabalhar há cerca de sete anos, quando foi morar no Chile, e deu continuidade à sua produção assim que chegou à capital federal, há cerca de um ano.

Em Brasília, passou a incorporar à sua arte elementos da fauna, da cultura e das tradições locais, e hoje usa o Instagram para dar visibilidade às suas produções. Foi também por meio da rede social que ele soube da premiação e não pensou em duas vezes para se formalizar e participar.

Surpreso com o reconhecimento em sua primeira participação, Christian atribuiu o resultado a quem acreditou em sua produção. “Ainda estou muito surpreso, mas estou contente. Sou grato às pessoas que acreditaram no meu trabalho e que me incentivaram a seguir em frente. O Sebrae foi muito importante nesse processo também”, reforçou.

A categoria também reconheceu os trabalhos de Alex Francisco Soares e Thaynara da Silva Morais, que ficaram, respectivamente, em segundo e terceiro lugares.

Conhecimento técnico e aprofundado

A segunda categoria a ser reconhecida na noite foi a de Artesão, voltada para aqueles que detêm conhecimento técnico aprofundado sobre os materiais, ferramentas e processos de sua especialidade. O vencedor foi Eduardo Pereira de Sousa, seguido de Adriano Dias da Costa e Linda Charrud.

Eduardo explicou que trabalha com arte há cerca de 40 anos e é artesão desde 2003, quando descobriu a argila. Com o tempo, passou a combinar o material com pedra e madeira, o que ampliou sua criatividade e o levou a misturar estilos e a produzir também peças abstratas.

A edição de 2026 representou a segunda participação do profissional no Prêmio Brasília de Artesanato. Em 2025, ele nem passou pela seletiva regional, e foi o conhecimento proporcionado pelo Sebrae que lhe deu direção e identidade para aprimorar o trabalho.

Foto: Renato Alves | Ascom Sebrae no DF

Com o troféu em mãos, ele planeja usar o reconhecimento concedido pelo Sebrae em seu currículo para alavancar um projeto social que promove no DF, ofertando oficinas de argila a crianças especiais em escolas. Ele ainda mencionou o apoio oferecido pela instituição nos últimos meses.

“Nós, artesãos, sabemos mexer com a matéria, mas muitas vezes falta maturidade para buscar conhecimento. O Sebrae me proporcionou isso ao longo do ano e descobri que sei muito pouco. Há muito a aprender, e a gente nem sempre procura. Este prêmio é um sonho, o primeiro em 40 anos de trabalho, e serve para que a gente se profissionalize”, declarou.

Produção artesanal contemporânea

Em seguida, foram anunciados os vencedores da categoria Artesão Contemporâneo, que abrange a produção que resulta da inovação de materiais e incorporação de elementos criativos, utilizando os fundamentos tradicionais para criar peças com uma abordagem atual. Geraldo de Castro Sampaio ficou com a terceira colocação, enquanto Nathalia Dionísio de Morais ocupou a segunda. A primeira posição ficou com Paloma Pereira Menino.

Artesã desde sempre, ela começou a vender o que produzia ainda no ensino médio e, na faculdade, bancava os estudos com a venda de pulseiras de macramê. Depois, passou a trabalhar com couro, até conhecer o mestre Virgílio, que lhe ensinou a técnica de reutilização do saco de cimento, cujo resultado se assemelha ao couro.

Foto: Renato Alves | Ascom Sebrae no DF

Por não querer mais utilizar material de origem animal, Paloma viu na alternativa reciclada um novo caminho e há 11 anos se dedica a aprimorar a habilidade com esse material.

Para ela, o prêmio chega como um estímulo a quem empreende em um cenário de muitos desafios. “Empreender é muito solitário. São muitas coisas, é muito trabalho, você precisa precificar o que faz e, ao mesmo tempo, entrar em um valor de mercado. Tudo isso é desafiador, e às vezes a gente se encontra em um lugar fragilizado. Ganhar um prêmio dessa magnitude me fez perceber que o meu trabalho vale a pena, tem um lugar e há gente olhando para ele. Isso dá força para continuar”, revelou.

Empate inédito marca a categoria Artesão de Excelência

A última categoria do Prêmio Brasília de Artesanato a ser revelada foi a de Artesão de Excelência, que buscou reconhecer profissionais que se destacam pelo domínio técnico, pela qualidade, pela originalidade e pela contribuição para a valorização do artesanato no Distrito Federal. Também concorreram profissionais que venceram a premiação nas últimas quatro edições.

O terceiro lugar ficou com Marcela Santos de Souza, e o segundo, com Cleziania Ribeiro de Lima Paiva. Na primeira colocação, um fato inédito. Um empate técnico garantiu o posto a Mariana Nunes de Oliveira Damasceno e Ivan Dantas Siqueira.

Formada em veterinária, Mariana atua com artesanato há cerca de cinco anos, desde a pandemia. Apaixonada pelas técnicas de joalheria, ela transforma matérias-primas naturais do Cerrado, como cápsulas de árvores a exemplo do jacarandá, em peças como esculturas e luminárias, com acabamento em fios dourados. Seu propósito é levar a valorização da natureza para dentro das casas. “O prêmio traz reconhecimento, realização e satisfação pessoal, mas também valorização do trabalho. A partir da premiação, o olhar do cliente para o artista melhora e o artesão passa a ser mais valorizado”, destacou Mariana.

Foto: Renato Alves | Ascom Sebrae no DF

Já Ivan trabalha com marcenaria desde os 14 anos e, ao longo do tempo, deixou de produzir móveis de grande porte para se dedicar à produção artesanal de peças exclusivas.

Ele sempre busca participar da premiação e, antes de chegar ao topo, acumulou duas segundas colocações e um terceiro lugar. Agora, com o primeiro lugar deste ano, ele soma o quarto troféu e já está na expectativa pela edição de 2027. “Foi um prazer participar de todas as edições até o momento. Já bati na trave algumas vezes, mas tinha em mente que o meu momento iria chegar. E chegou. Ano que vem participo novamente para me capacitar, criar uma nova peça e quem sabe buscar um outro troféu para a minha trajetória”, sustentou.

Manualistas

A noite foi encerrada com a entrega do Prêmio Brasília Manualistas. Juliana Ortega Lima ficou com a terceira colocação, acompanhada de Cris Almeida de Sá, em segundo lugar, e de Gabiane Castro, do Riacho Fundo II, a grande vencedora.

A vencedora conquistou o reconhecimento pelo terceiro ano consecutivo, resultado de um processo de descoberta, perseverança e inspiração. Por cerca de oito anos, Gabiane teve a convicção de ser artesã. Após participar de uma capacitação organizada pelo Sebrae, passou a compreender a diferença entre artesanato e manualidade, e isso a ajudou a impulsionar a sua atuação.

Foto: Renato Alves | Ascom Sebrae no DF

Nascida no Maranhão, ela diz ter o coração no Distrito Federal e busca representar a essência da capital em cada peça que cria. Para manter o nível, aposta em estudar o mercado e inovar a cada edição. “A cada ano, a gente precisa se desafiar mais para conquistar o público e os jurados. Todo ano é um pouco mais de criatividade, um pouco mais de novidade, e é preciso estudar o mercado para saber o que ainda pode encantar. Busco a novidade e a essência do nosso Distrito Federal para levar às minhas peças. Sou maranhense, mas meu coração está aqui, e consigo representá-lo no meu trabalho”, sintetizou.

Apoiadores do Feito à Mão

A cerimônia também reconheceu o importante trabalho desempenhado pelos Agentes de Desenvolvimento Territorial (ADTs), figuras que foram essenciais para fomentar um ambiente de negócios mais favorável, atuando como elo entre o Sebrae e os empreendedores.

Os ADTs oferecem suporte abrangente, que vai desde a orientação sobre formalização até os processos de abertura e encerramento de empresas, alinhando as ações à Lei Geral da Micro e Pequena Empresa e, assim, contribuindo para a criação de um ecossistema que estimula o empreendedorismo e a inovação.

Foto: Renato Alves | Ascom Sebrae no DF

No contexto das premiações, três ADTs foram reconhecidos por seu papel como Apoiadores do Feito à Mão. Foram eles: Larissa Sandes, da Administração Regional de Arniqueira; Rafael Lemos, da Administração Regional da Candangolândia; e Ciraci Alves, da Administração Regional do Riacho Fundo.

Premiações e trabalhos em destaque

As obras dos 70 artesãos mais bem pontuados pelo júri do Prêmio Brasília de Artesanato integram um catálogo digital preparado pelo Sebrae no DF. A publicação funciona como uma vitrine para trajetórias, técnicas e inspirações, visando promover a produção regional e impulsionar a comercialização.

Os três primeiros colocados de cada categoria receberam troféus, certificados e uma premiação em dinheiro, que totaliza R$ 80 mil distribuídos entre os vencedores.

Seguindo a mesma dinâmica, os 40 trabalhos mais bem avaliados no âmbito do Prêmio Brasília Manualistas também foram reunidos em um catálogo exclusivo, que está disponível no site da iniciativa.

Já a premiação para este grupo também inclui certificados, troféus e valores que variam de R$ 4 mil a R$ 10 mil.

Vencedores do Prêmio Brasília de Artesanato

Categoria Artesão Iniciante

1º lugar: Christian Fernando Gutierrez Vera (Plano Piloto)
2º lugar: Alex Francisco Soares (Taguatinga)
3º lugar: Thaynara da Silva Morais (Vicente Pires)
Categoria Artesão

1º lugar: Eduardo Pereira de Sousa (Sobradinho)
2º lugar: Adriano Dias da Costa (Taguatinga)
3º lugar: Linda Charrud (Planaltina)
Categoria Artesão Contemporâneo

1º lugar: Paloma Pereira Menino (Vicente Pires)
2º lugar: Nathalia Dionisio de Morais (Taguatinga)
3º lugar: Geraldo de Castro Sampaio (Ceilândia)
Categoria Artesão de Excelência

1º lugar: Mariana Nunes de Oliveira Damasceno (Sobradinho) e Ivan Dantas Siqueira (Samambaia)
2º lugar: Cleziania Ribeiro de Lima Paiva (Sol Nascente e Pôr do Sol)
3º lugar: Marcela Santos de Souza (Sobradinho)
Vencedoras do Prêmio Brasília Manualistas

1º lugar: Gabiane Castro (Riacho Fundo II)
2º lugar: Cris Almeida de Sá (Sobradinho)
3º lugar: Juliana Ortega Lima (Lago Norte)

Créditos das Notícias Sebrae DF

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