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94% das brasileiras se sentem inseguras diante da violência, aponta pesquisa

94% das brasileiras se sentem inseguras diante da violência, aponta pesquisa Mais de 9 em cada 10 mulheres se sentem inseguras no Brasil, ap…

94% das brasileiras se sentem inseguras diante da violência, aponta pesquisa

Mais de 9 em cada 10 mulheres se sentem inseguras no Brasil, aponta pesquisa 

Levantamento revela que o medo da violência faz parte da rotina das mulheres e influencia desde deslocamentos até decisões sobre onde e quando sair de casa
A sensação de insegurança faz parte da realidade da grande maioria das mulheres brasileiras. Uma pesquisa realizada pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, com apoio da Uber, aponta que 94% das brasileiras afirmam se sentir inseguras diante da violência, percentual que evidencia o impacto da criminalidade e da violência de gênero no cotidiano do país.
O estudo ouviu mais de 1.500 pessoas e revelou que nove em cada dez brasileiros têm medo da violência. Entre as mulheres, entretanto, esse sentimento é ainda mais intenso, principalmente durante os deslocamentos pelas cidades, seja utilizando transporte público, aplicativos de transporte ou caminhando pelas ruas.
Para a advogada criminalista e especialista em direito da mulher, Rafaela Ferreira, o receio da violência acaba limitando a liberdade feminina e interfere em decisões simples do dia a dia.
“A mulher não anda sozinha na rua, nem que seja duas quadras à noite, dependendo do local. Tem que pedir um Uber, tem que ir com alguém, tem que deixar de ir ou não estar presente em determinado lugar por receio”, afirmou.
Os números da pesquisa também revelam a dimensão da violência enfrentada pelas mulheres. Segundo o levantamento, 78% das entrevistadas disseram já ter sofrido algum tipo de violência ao longo da vida, o que representa aproximadamente 68 milhões de brasileiras. A violência psicológica aparece como a forma de agressão mais frequentemente relatada.
Em Goiânia, mulheres ouvidas pela reportagem da CBN no Parque Areião relataram que o medo influencia diretamente seus hábitos. Embora tenham preferido não gravar entrevistas, elas afirmaram que evitam determinados horários e locais por receio de sofrer algum tipo de violência.
Na avaliação de Rafaela Ferreira, o enfrentamento desse problema exige muito mais do que leis mais rígidas. Segundo ela, é necessário ampliar as políticas públicas de prevenção e fortalecer a rede de proteção às vítimas.
“A gente ainda precisa de trabalho dos governos. Não é só uma questão de legislação. Nós temos leis cada vez mais duras, mas ainda não conseguimos atingir os homens. Precisamos de políticas públicas que mudem a cultura em relação às mulheres”, destacou.
O levantamento também mostra que muitas brasileiras não se sentem completamente seguras em nenhum ambiente. Os maiores índices de insegurança foram registrados em locais como o transporte público e áreas de lazer, reforçando que o medo acompanha as mulheres em diferentes momentos da rotina.
Os resultados da pesquisa evidenciam que a violência contra a mulher vai além das ocorrências registradas pelas autoridades. 

O temor constante de sofrer agressões afeta a liberdade de circulação, restringe oportunidades e modifica comportamentos cotidianos de milhões de brasileiras, reforçando a necessidade de investimentos em segurança pública, educação e políticas de prevenção à violência de gênero.

Da Redação 

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