Reunião de 12 horas na CLDF expõe divergências sobre plano para salvar o BRB

Reunião de 12 horas na CLDF expõe divergências sobre plano para salvar o BRB

A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) recebeu, nesta segunda-feira (2), o presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, para prestar esclarecimentos sobre o Projeto de Lei 2175/2026, que prevê medidas para restabelecer as condições econômico-financeiras da instituição. A reunião, realizada na sede da Câmara Legislativa do Distrito Federal, durou cerca de 12 horas e foi marcada por embates entre base governista e oposição.

O encontro contou ainda com a presença do procurador-geral do DF, Márcio Wanderley de Azevedo, e do secretário de Economia, Daniel Izaias de Carvalho. Ao longo do dia, o presidente do banco respondeu a questionamentos sobre a situação financeira da instituição e os detalhes do plano encaminhado pelo Governo do Distrito Federal (GDF).

Um dos principais pontos de tensão foi a falta de precisão sobre o tamanho do prejuízo do banco. Durante as discussões, foram mencionados valores distintos. Já se falou em cifras que chegariam a R$ 30 bilhões. Em outro momento, o presidente indicou algo em torno de R$ 8 bilhões.

Parlamentares da oposição criticaram a ausência de um número consolidado e oficialmente comprovado. Para eles, a indefinição compromete a análise do projeto e o futuro da instituição e dos servidores que atuam no banco.

O texto enviado pelo Executivo autoriza a adoção de medidas como empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), operações de securitização e o uso econômico de bens públicos.

Entre os pontos mais polêmicos está a concessão de nove imóveis públicos ao BRB. Avaliação da Terracap estima os ativos em pouco mais de R$ 6 bilhões. Já uma estimativa conservadora apresentada por técnico independente da CLDF aponta que os imóveis poderiam alcançar até R$ 22 bilhões.

Deputados questionam possível subavaliação do patrimônio público e alertam para eventual valorização futura dos terrenos, caso haja mudança de destinação ou uso do solo. Para críticos, o DF pode estar entregando ativos estratégicos abaixo do valor real.

Prazo e risco de quebra

Segundo Nelson Antônio de Souza, o banco precisa apresentar resposta ao Banco Central até 31 de março, data prevista para divulgação do balanço. A informação foi apresentada como compromisso já ajustado com a autoridade monetária.

Parlamentares contrários ao projeto avaliam que o prazo vem sendo utilizado como instrumento de pressão para votação imediata da proposta.

Durante a reunião, o presidente afirmou ainda que, sem o socorro por meio dos imóveis, o BRB pode quebrar. Ele disse que o banco foi “vítima”, mas não detalhou de quem ou de qual circunstância específica — ponto que também foi alvo de questionamentos.

Clima político e mobilização

Deputados da oposição e a 2ª vice-presidente da Casa, Paula Belmonte (PSDB), deixaram o encontro insatisfeitos. Eles classificam o projeto, na forma atual, como um “cheque em branco” ao Executivo e cobram maior transparência, diagnóstico financeiro consolidado e garantias de governança.

Deputados demonstraram preocupação em relação ao PL em sua forma atual, especialmente quanto aos impactos potenciais ao DF. “O projeto, do jeito que está, não resolve o problema do banco. Precisamos discutir com muito mais profundidade, para encontrarmos uma solução definitiva”, analisou o deputado Chico Vigilante (PT).

O deputado Joaquim Roriz Neto (PL) também reforçou que a proposta do Palácio do Buriti carece de esclarecimentos antes de ser encaminhada à votação e ratificou a necessidade de garantir a saúde financeira do BRB. A líder do Bloco PSOL/PSB, deputada Dayse Amarilio (PSB), abordou os valores que estão sendo colocados para apreciação da Câmara Legislativa e pediu mais informações. “Questionamos o presidente do BRB sobre dados que não estão disponíveis, incluindo o total exato que será preciso. Sem isso, fica difícil votar o projeto”, afirmou.

Já a base governista sinaliza apoio majoritário à proposta, sob o argumento de preservar o banco, os empregos e o patrimônio público do Distrito Federal.

Representantes do Sindicato dos Bancários participaram da parte final da reunião e manifestaram apoio ao projeto, defendendo que a medida seria a única alternativa para evitar a quebra da instituição. Há relatos de que servidores foram liberados do expediente para acompanhar a discussão na CLDF.

Próximos passos

O tema volta à pauta nesta terça-feira (3), em reunião do Colégio de Líderes marcada para o período da tarde. A expectativa é que o projeto seja levado ao plenário ainda esta semana. Nos bastidores, mesmo com a resistência da oposição, a tendência é de aprovação na forma atual, apesar das críticas apresentadas ao longo do dia.

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