Quem são os gigantes da Faria Lima citados na investigação sobre o PCC

Há pelo menos quatro pesos-pesados da Faria Lima, o principal centro financeiro do país, entre os alvos da Operação Carbono Oculto, deflagrada na quinta-feira (28/8), para desarticular fraudes bilionárias no setor de combustíveis. O esquema teria ainda conexões com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

As quatro grandes administradoras de fundos presentes na investigação são a Reag, a Genial, a Trustee e a Buriti. A lista, porém, inclui ainda nomes como Altinvest, Banvox, BFL, Monetar, Finaxis e Positiva (veja abaixo as manifestações das empresas sobre o caso). No total, de acordo com os investigadores, elas administravam cerca de 40 fundos que seriam controlados pelo PCC, com patrimônio superior a R$ 30 bilhões.

De acordo com Marcia Meng, superintendente da Receita Federal em São Paulo, são alvo das apurações três tipos de fundos: imobiliários, multimercados e de investimento. Todos, porém, fechados, ou seja, com número fixo de cotas, que não aceitam o ingresso de investidores depois do período inicial de captação. Também havia no pacote fundos exclusivos, com apenas um proprietário.

Segundo ela, as gestoras e os fundos ocupam uma segunda etapa do esquema que supostamente foi criado dentro do sistema financeiro. A primeira etapa da operação seria realizada por fintechs, abreviação do termo em inglês “financial technology”. Elas eram responsáveis pela “bancarização” do dinheiro de origem ilegal.

Porta de entrada

Nesse caso, recursos obtidos de forma fraudulenta eram depositados em bancos comerciais, que serviram de porta de entrada para o estratagema montado. O dinheiro, entretanto, ia para contas das fintechs, nas quais os bancos e nem sequer a Receita Federal conseguem identificar quem são seus usuários.

Uma vez dentro do sistema, relata Marcia Meng, esse dinheiro ilegal era transferido para uma gestora, que fazia a aplicação nos fundos. Estes também eram usados para a ocultação do patrimônio dos envolvidos no suposto grupo criminoso e para garantir a rentabilidade das quantias acumuladas.

Camadas de fintechs

“Encontramos situações em que o dinheiro era depositado numa fintech, que passava para duas ou para até três outras fintechs, como se todas fossem de fachada”, diz a superintendente da Receita em São Paulo. “Aí, a última dessa cadeia, a que estava na camada final, efetivamente ficava com o dinheiro e fazia o investimento no fundo.”

Em relação às gestoras, Meng afirma que a investigação está em curso e a operação realizada nessa quinta-feira teve como um dos objetivos reunir provas para comprovar indícios de crimes. “Mas temos fortes suspeitas de gestão fraudulenta”, diz.

“Observamos que alguns fundos, apesar de estarem obrigados a prestar informações à Receita Federal em relação a quem são seus cotistas e sobre qual é o valor investido por cada um, não faziam isso, não cumpriam essa obrigação legal.”

O que dizem as gestoras citadas na investigação

A Reag, que foi alvo de busca e apreensão, divulgou fato relevante ao mercado, no qual afirmou que “está colaborando integralmente com as autoridades competentes, fornecendo as informações e documentos solicitados”. Ela disse ainda que permanecerá à “disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais que se fizerem necessários”.

O Banco Genial disse que “sempre conduziu suas atividades com base nos mais elevados padrões de governança corporativa, ética e compliance regulatório, em estrita observância à legislação e regulamentação aplicáveis”. E acrescentou: “Reiteramos que estamos inteiramente à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários. Ao mesmo tempo, repudiamos de forma veemente qualquer ilação infundada que possa macular a reputação da instituição e seus colaboradores.”

A Trustee DTVM disse que renunciou à administração de todos os fundos citados na investigação antes de a operação desta quinta-feira ter sido deflagrada. Segundo a gestora isso ocorreu “por decisão da área de compliance, por desconformidade de atualização cadastral identificada há alguns meses”.

A Buriti afirmou que não foi notificada, convocada para depoimento e nem sequer alvo de nenhum mandado de busca e apreensão da Operação Carbono Oculto. “A empresa tomou conhecimento do tema por meio da imprensa e não tem conhecimento sobre qualquer procedimento investigativo que a envolva, direta ou indiretamente A Buriti reforça seu compromisso com a ética, a governança corporativa e o compliance e reitera que está inteiramente à disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos necessários.”

A Finaxis, em nota, afirmou que manifestava “indignação diante das ilações veiculadas em notícias relacionadas à operação. Ela acrescentou que tomou conhecimento do caso por meio da imprensa e não havia sido “citada em qualquer procedimento investigativo, tampouco recebeu qualquer notificação oficial que a envolva, direta ou indiretamente”. Disse também que questiona “com veemência qualquer tentativa de vincular indevidamente o nome da Finaxis a fatos que não dizem respeito à atuação” da empresa. “Temos uma trajetória pautada pela ética, pela legalidade e pela transparência, e seguimos firmes em nosso compromisso com esses valores”, citou, acrescentando que “permanece à disposição das autoridades competentes para colaborar com quaisquer esclarecimentos”.

Este espaço permanece aberto a eventuais manifestações das demais gestoras e instituições financeiras mencionadas na Operação Carbono Oculto, realizada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e pela Receita Federal.

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