Jornada pedagógica debate sobre como conciliar tecnologia inovação e cuidado no cotidiano das escolas | ASN Distrito Federal

Jornada pedagógica debate sobre como conciliar tecnologia inovação e cuidado no cotidiano das escolas | ASN Distrito Federal

Diante de um cenário educacional marcado por mudanças nas formas de aprender, comunicar e conviver, a atuação dos orientadores educacionais tem exigido novas estratégias de mediação e acompanhamento dos estudantes. Foi nesse contexto que a VI Jornada Pedagógica da Orientação Educacional foi encerrada na manhã desta sexta-feira, 27 de março, no auditório do Sebrae no Distrito Federal, no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA). Ao longo de três dias, o encontro reuniu profissionais da rede pública do DF para discutir práticas pedagógicas, o uso de tecnologias no ambiente escolar e os caminhos para conciliar inovação, equilíbrio e cuidado no cotidiano das escolas.

A jornada foi construída como um desdobramento das discussões iniciadas no Fórum da Orientação Educacional, realizado em dezembro, e tomou como eixo o tema “Inovação, Equilíbrio, Cuidado”. A proposta do encontro foi aprofundar conteúdos definidos a partir das avaliações dos próprios profissionais da rede, preservando o caráter coletivo e democrático das decisões relacionadas à orientação educacional no DF. Na jornada, os participantes discutiram ferramentas digitais aplicadas à rotina escolar, riscos das redes sociais para a saúde mental de crianças e jovens, o uso do Canva em práticas formativas e, no encerramento, refletiram sobre os impactos pedagógicos, éticos e institucionais da inovação nas escolas.

Na abertura da programação presencial desta sexta-feira, a chefe da Unidade de Gestão Articuladora da Educação Básica, Claudimary Pires de Oliveira, situou a importância do tema dentro da rotina da subsecretaria e da própria rede pública. Ao falar para os orientadores, ela defendeu que a inovação precisa ser entendida para além da presença de equipamentos e aplicativos, alcançando também metodologias e processos capazes de ressignificar práticas escolares. “O desafio não está em substituir o humano, mas em usar a inovação com responsabilidade, equilíbrio e cuidado para fortalecer os vínculos entre escola, estudantes, professores e comunidade. O uso responsável da tecnologia pode otimizar tarefas e ampliar o tempo dedicado às relações interpessoais. Isso permite ter mais momentos de contato direto, olho no olho”, disse.

Foto: Samuel Andrade | Focus Produção de Imagem

A aproximação entre educação e empreendedorismo também apareceu como um dos eixos estruturantes do evento. Em sua fala, o gerente da Assessoria Estratégica de Políticas Públicas do Sebrae no DF, Jorge Adriano, recuperou o histórico da atuação da instituição na educação empreendedora e sustentou que o apoio ao ambiente de negócios não pode ser dissociado da formação oferecida na base.

Para ele, ‘‘é a educação que vai garantir qualidade para quem deseja empreender no futuro”, disse Jorge. Ao enfatizar os resultados da parceria no Distrito Federal, Jorge lembrou que o Sebrae no DF realizou mais de 650 mil atendimentos a estudantes no último ano e afirmou que o modelo local passou a servir de referência para outros estados. Em sua leitura, inovação, equilíbrio e cuidado são noções inseparáveis quando se pensa em futuro, relações humanas e diversidade. “Inovação é essencial para a evolução. Não existe avanço sem mudança, sem fazer diferente”, observou, antes de associar essa lógica ao próprio processo de construção de Brasília e ao potencial da diversidade brasileira como ativo de desenvolvimento.

Foto: Samuel Andrade | Focus Produção de Imagem

Já a gerente da Gerência de Orientação Educacional (GOE), Érika Goulart Araújo, retomou o percurso da jornada para explicar por que a temática escolhida passou a mobilizar tão fortemente a área. Segundo ela, desde o fórum, a discussão sobre educação midiática, exposição digital e práticas de orientação vem se impondo tanto nas escolas quanto na gestão.

Foto: Samuel Andrade | Focus Produção de Imagem

Em sua fala, Érika procurou situar a orientação educacional num cenário em que a inovação convive com riscos relacionados ao uso intensivo das redes, ao excesso de informação e à vulnerabilidade de crianças e adolescentes diante do ambiente digital. “Precisamos buscar respostas para uma pergunta central: o que eu, enquanto orientador educacional, posso fazer para ajudar o estudante a enxergar a mídia como uma ferramenta de inovação, com equilíbrio e responsabilidade?”, afirmou. Para ela, a discussão não se encerra com a jornada, justamente porque a velocidade das transformações tecnológicas exige atualização contínua e reposicionamento permanente dos profissionais da escola. Érika também atribuiu à parceria com o Sebrae parte importante dessa trajetória, lembrando que, desde o primeiro fórum, em 2011, a área tem conseguido avançar “com qualidade, mas também com inovação”.

O ponto alto do encerramento foi a palestra de Samara Leite Brito Meira, professora de Física, assessora especialista em tecnologias educacionais da Subsecretaria de Educação Básica. Com trajetória de mais de 25 anos na educação básica pública e privada do DF, Samara conduziu uma apresentação que articulou referências de políticas nacionais, tendências tecnológicas, cultura digital, inteligência artificial e os desafios concretos da atuação dos orientadores no espaço escolar.

A apresentação partiu de uma pergunta ampla – do que é feita a escola – para mostrar que a instituição escolar hoje é atravessada por elementos diversos, como a comunidade, a estrutura, as normas, as competências socioemocionais, metodologias ativas, personalização da aprendizagem, riscos à saúde mental, inteligência artificial, cultura digital e mediação das relações interpessoais.

Dentro desse panorama, a orientação educacional apareceu como instância capaz de articular essas camadas, sem perder de vista a centralidade da convivência e do desenvolvimento dos estudantes. Um dos argumentos centrais da palestra foi que a escola permanece como instituição civilizatória, espaço de humanização e de equidade, inclusive no contexto de expansão acelerada das tecnologias.

Foto: Samuel Andrade | Focus Produção de Imagem

Ao tratar especificamente da inovação, Samara buscou afastá-la de uma compreensão superficial ou exclusivamente instrumental. Em vez de associá-la apenas a equipamentos e modismos digitais, a palestrante propôs entendê-la como processo de melhoria contínua das práticas e de resposta qualificada aos desafios da escola contemporânea. Sua apresentação percorreu desde marcos regulatórios, como a BNCC, a BNCC Computação, a Política Nacional de Educação Digital e o ECA Digital, até exemplos concretos da rotina da orientação educacional.

O material apresentado por Samara chamou atenção para o fato de que 70% dos estudantes do ensino médio já utilizam ferramentas de IA, como o ChatGPT, em atividades escolares, enquanto apenas 11% recebem orientações formais sobre o uso ético dessas tecnologias. Diante desse quadro, ela sustentou que o papel dos orientadores é também o de mediar o uso do digital, orientar famílias, enfrentar o cyberbullying, discutir privacidade, proteger estudantes contra mecanismos de incentivo ao uso compulsivo e colaborar para que a escola reduza desigualdades digitais em vez de ampliá-las.

Foto: Samuel Andrade | Focus Produção de Imagem

“Estimulem seus estudantes a transformarem ideias em ações concretas dentro do contexto em que vivem. A inovação na escola não está apenas na tecnologia, mas na capacidade de provocar reflexão, criar soluções e fortalecer o senso de pertencimento e responsabilidade”, destacou Samara.

Ao final da programação, os orientadores educacionais participaram de um momento aberto de troca de experiências, em que puderam compartilhar percepções sobre os desafios enfrentados nas unidades escolares, práticas adotadas no cotidiano e estratégias de atuação diante das transformações do ambiente educacional.

Créditos das Notícias Sebrae DF

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