”É crítico”, diz sindicato sobre falta de diesel que pode afetar transporte de Brasília para o Entorno

”É crítico”, diz sindicato sobre falta de diesel que pode afetar transporte de Brasília para o Entorno

A Associação Nacional das Empresas de Transporte Rodoviário Interestadual Semiurbano de Passageiros (ANATRIP) informou, em ofício enviado à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que enfrenta uma situação considerada grave no abastecimento de diesel, o que pode comprometer a continuidade do transporte semiurbano entre Brasília e o Entorno.

No documento, a entidade afirma que o cenário já ameaça a operação regular do sistema. “Grave situação que ameaça a continuidade da prestação regular do serviço”, diz o ofício.

Segundo a ANATRIP, houve aumento no preço do combustível nas últimas semanas, além de dificuldades para aquisição no mercado. A associação relaciona o problema à instabilidade internacional provocada por conflitos no Oriente Médio, que impactam o preço do petróleo e rotas de exportação.

A entidade também relata efeitos diretos no país. “Diversas empresas associadas relatam dificuldades concretas para aquisição de volumes suficientes de diesel para abastecimento integral de suas frotas”, informa o documento.

De acordo com a ANATRIP, o transporte semiurbano interestadual é um serviço essencial, utilizado diariamente por trabalhadores do Distrito Federal e do Entorno. Ainda assim, o setor enfrenta limitações financeiras. “O setor já enfrenta significativa defasagem tarifária, circunstância que limita a capacidade das empresas de absorver novos aumentos abruptos de custos operacionais”, aponta o texto.

A associação afirma ainda que a situação está fora do controle das empresas. “Fato superveniente, imprevisível e alheio à gestão das empresas operadoras”, descreve o ofício.

Diante do cenário, a entidade pediu medidas emergenciais à ANTT, como reequilíbrio econômico-financeiro, autorização temporária para redução da frota e ações regulatórias para garantir a continuidade do serviço.

A ANATRIP também alertou para risco imediato de impacto nas operações. “Algumas empresas já relatam não estar conseguindo adquirir combustível em quantidade suficiente para o abastecimento integral de suas frotas”, destaca.

Em entrevista ao Jornal Opção Entorno, o secretário-executivo da ANATRIP, Gabriel Oliveira, afirmou que a situação já preocupa as empresas do setor. Segundo ele, “as empresas do transporte do Entorno do Distrito Federal acenderam a luz vermelha em relação à disponibilidade de diesel nas distribuidoras” e relatou que há dificuldade de encontrar combustível tanto em Goiás quanto no Distrito Federal.

O representante também destacou a necessidade de medidas para garantir o funcionamento do serviço. De acordo com ele, “o transporte público, como serviço essencial, ele precisa ser protegido”, além de citar a importância de ações semelhantes às adotadas durante a pandemia para priorizar o abastecimento.

Gabriel Oliveira ainda afirmou que o cenário pode afetar diretamente o funcionamento do sistema. “A Anatrip se posiciona como representante das empresas do entorno e acende o alerta para que essa região não fique completamente desabastecida”, disse.

Já o presidente do Sindicombustíveis do Distrito Federal, Paulo Tavares, afirmou que houve reajustes recentes nos preços. Segundo ele, “pelo segundo dia consecutivo, as distribuidoras no Distrito Federal reajustaram seus preços no diesel e algumas delas também na gasolina”, indicando aumento de R$ 0,89 no diesel e cerca de R$ 0,26 na gasolina.

Ele também explicou a relação com o mercado internacional. De acordo com Tavares, “não há como evitar os efeitos do preço do mercado internacional que possa influenciar o preço junto às distribuidoras”, destacando a necessidade de importação para suprir o mercado brasileiro.

O presidente do sindicato apontou ainda dificuldades no abastecimento. Segundo ele, “as distribuidoras estão trabalhando com cotas para evitar que falte produto”, o que pode levar à escassez para quem possui baixo estoque.

Por fim, Tavares afirmou que o aumento de custos é inevitável diante do cenário. “Não é possível, infelizmente, conter o aumento de custo, já que nós precisamos importar produto para suprir o mercado”, concluiu.

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