Distrito Federal ultrapassa 218 mil árvores plantadas desde 2019 e amplia meta até 2027
“O programa de arborização desde 2019 atingiu mais de 280 mil mudas. Agora fechamos novos contratos para execução em 2026 e 2027. A ideia é expandir. A gente saiu de 100 mil mudas e quer alcançar 200 mil neste próximo ciclo”, afirma Lá Fuente.
A produção é majoritariamente própria, realizada nos viveiros da Novacap. Cerca de 97% das mudas são originadas de sementes coletadas no Distrito Federal e em expedições técnicas ao Cerrado, em Goiás e Minas Gerais. O viveiro trabalha atualmente com mais de 130 espécies. “A gente tem uma diversidade muito grande aqui. Cada espécie tem sua peculiaridade, seu tempo, seu recipiente adequado”, explica o engenheiro.
As mudas permanecem entre oito meses e um ano em cultivo antes do plantio definitivo. Nesse período passam por rustificação, processo que as prepara para vento, variação térmica e estresse hídrico. “Elas ficam aqui amadurecendo, se adaptando. Quando vão para o campo, já estão aptas”, comenta.
Entre as espécies mais plantadas estão o ipê-branco (Tabebuia roseo-alba), o jacarandá-mimoso (Jacaranda mimosaefolia) e a pitangueira (Eugenia uniflora)
Entre as espécies mais plantadas estão o ipê-branco (Tabebuia roseo-alba), o jacarandá-mimoso (Jacaranda mimosaefolia) e a pitangueira (Eugenia uniflora). A diretriz atual prioriza espécies do bioma Cerrado ou adaptadas ao ambiente urbano.
“O nosso norte hoje é priorizar espécies do Cerrado, mas entendendo que é arborização urbana. Não é recriar o campo natural no meio da quadra. A gente precisa se adaptar ao contexto da cidade.”
Aprendizados de seis décadas de arborização
O planejamento arbóreo da capital passou por revisões técnicas ao longo de mais de seis décadas. Espécies antes utilizadas deixaram de integrar o planejamento urbano à medida que novos estudos e experiências de campo indicaram ajustes necessários.Matheus Marques Dy Lá Fuente Gonçalves: “O nosso norte hoje é priorizar espécies do Cerrado, mas entendendo que é arborização urbana”
A espatódia (xixi de macaco), por exemplo, deixou de ser utilizada devido ao impacto sobre as abelhas. O guapuruvu saiu do planejamento urbano por risco estrutural elevado. “São aprendizados de décadas. Hoje a gente evita espécies que dão problema de manutenção ou têm impacto ambiental negativo”, afirma o especialista.
O modelo também evoluiu na forma de plantio. Quadras antes formadas por blocos homogêneos passaram a receber maior diversidade, reduzindo vulnerabilidades e custos de manejo.
Desafio técnico: solo urbano, pragas e manutenção
A etapa de plantio é apenas o início do ciclo. Nos dois primeiros anos, período considerado crítico para o pegamento da muda, a taxa técnica de perda aceitável varia entre 10% e 30%, com meta ideal próxima de 15%. O principal gargalo é o controle de formigas, especialmente em áreas onde o solo original do Cerrado foi alterado durante a urbanização.
“Tem área que a gente perde mais de 50%. Em outras, não perde nada. Às vezes são dois quarteirões de distância. O nosso maior desafio hoje são as formigas”, revela o engenheiro.
Após o período inicial, a gestão entra em fase de manutenção arbórea, que envolve podas programadas, controle fitossanitário e monitoramento estrutural. A arborização urbana exige acompanhamento permanente e contratos específicos para garantir segurança e qualidade paisagística.
Planejamento e participação da população
Qualquer pessoa pode pedir o plantio de árvores em sua região por meio dos canais oficiais do GDF
O pedido de plantio de árvores nas ruas e praças pode partir dos próprios cidadãos. Qualquer pessoa pode registrar solicitação pelos canais oficiais do Governo do Distrito Federal, como a ouvidoria ou a administração regional da sua área. Cada demanda passa por avaliação técnica antes de ser incluída no planejamento.
“A gente recebe os pedidos da população e faz a vistoria em campo. Avalia rede elétrica, calçada, meio-fio, presença de tubulação, espaço disponível e até se há previsão de obra naquela área. Nem sempre é possível plantar uma árvore de grande porte. Às vezes é preciso usar espécie arbustiva ou adaptar o projeto”, explica Matheus.
Segundo o engenheiro, o plantio urbano envolve critérios técnicos que nem sempre são perceptíveis no dia a dia do morador. Árvores muito próximas à rede elétrica podem gerar podas frequentes. Espécies inadequadas ao espaço disponível podem comprometer calçadas ou estruturas subterrâneas. Não é simplesmente abrir uma cova e plantar: existe planejamento para evitar desperdício de recursos e conflitos com infraestrutura urbana.
A equipe também verifica se a área está incluída em projetos futuros de urbanização ou intervenção pública, para evitar que a muda seja retirada meses depois por causa de uma obra.
O DPJ reforça que intervenções sem autorização são proibidas. O corte irregular de árvore é considerado crime ambiental e pode gerar multa. A orientação técnica é que o morador não realize plantios por conta própria em áreas públicas sem consulta prévia, justamente para evitar problemas com rede elétrica, encanamento ou manutenção futura.



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