Dez horas dentro de uma creche do DF: a única UF que tem 100% das creches com tempo integral
Chegou a hora do almoço
Por volta das 11h, o movimento no refeitório recomeça. É hora do almoço. O cardápio, também planejado por nutricionista da rede, inclui pratos balanceados, como arroz, feijão, carnes ou frango, além de legumes e verduras.
Os bebês mais novos fazem a refeição nas próprias salas, acomodados em cadeirinhas apropriadas. Já as crianças maiores seguem para o refeitório, onde mesas e cadeiras foram pensadas para o tamanho de cada faixa etária.
Depois de uma manhã cheia de atividades, chega o momento de desacelerar. É a hora do descanso. O período de sono costuma se estender até 13h30. Ao acordarem, as crianças passam por uma nova rotina de cuidados. Penteiam o cabelo, tomam banho e se preparam para as atividades da tarde.
Em seguida, é servida a quarta refeição, com frutas, biscoitos ou lanches leves. O restante da tarde costuma ser marcado por atividades mais livres e recreativas, muitas vezes ao ar livre. Rodas de música, jogos coletivos e brincadeiras com bola ajudam a manter o ritmo até o fim do dia.
Por volta das 16h acontece a última refeição: o jantar. Depois da alimentação, as equipes organizam a higienização das crianças, trocam roupas quando necessário e registram na agenda escolar as atividades do dia para compartilhar com as famílias.
A partir das 17h, os portões começam a abrir novamente. Pais e responsáveis chegam para buscar os filhos, que aos poucos deixam a creche depois de mais um dia de aprendizado, brincadeiras e convivência.
Dez horas nas creches do DF
A cena se repete em todas as creches públicas do Distrito Federal. Atualmente, a rede pública e as parcerias com instituições privadas atendem 33.352 crianças em regime integral, sendo a capital federal a única UF que tem 100% das creches com essa carga horária.
Ao todo, são 73 Centros de Educação da Primeira Infância (Cepis), estruturas construídas ou administradas pelo Governo do Distrito Federal (GDF), além de 72 instituições parceiras, 133 unidades particulares atendidas pelo Cartão Creche e duas escolas da rede pública distrital.
Segundo a ex-secretária de Educação do Distrito Federal, Hélvia Paranaguá, o atendimento nas creches faz parte do processo educacional das crianças desde os primeiros anos de vida.
“Durante muito tempo a creche foi vista apenas como assistencialismo, mas desde a Constituição de 1988 e a LDB [Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional] ela passou a ser educação. É ali que a criança começa a ser estimulada, conviver com outras crianças e aprender a socializar”, afirma.
De acordo com a ex-secretária, o investimento na ampliação da rede permitiu expandir o acesso das famílias ao atendimento em tempo integral. Desde 2019, o Governo do Distrito Federal construiu 27 Cepis, dos quais 22 já foram oficialmente inaugurados.
“Esse estímulo e esse cuidado são fundamentais nessa fase da vida. A criança fica bem assistida, aprende, evolui e a família pode trabalhar com tranquilidade”, acrescenta Hélvia Paranaguá.
Todas as creches vinculadas ao órgão funcionam em período integral de 10 horas diárias e dispõem de cinco refeições por dia: café da manhã, lanche da manhã, almoço, lanche da tarde e jantar. Para a ex-secretária, o modelo também tem impacto social.
“Na creche em tempo integral, a criança tem cinco refeições. Ela aprende mais, está mais protegida e vai para casa bem alimentada”, afirma.
A diretora do Cepi Flor de Magnólia, Tatiane Maria de Jesus, conta ainda que as equipes acompanham diariamente a evolução de cada aluno. “Existe uma observação contínua. Temos um diário de bordo onde são registradas as atividades e o desenvolvimento das crianças. Assim conseguimos acompanhar o progresso e compartilhar essas informações com os pais.”
Expansão da rede
A ampliação da rede de creches tem sido uma das estratégias para ampliar o acesso ao atendimento na primeira infância no Distrito Federal. Em 2019, a fila de espera por uma vaga em creche era de 24 mil crianças. Nesses sete anos, o GDF construiu 27 Cepis distribuídos pelas regiões administrativas além de ampliar a lista de creches conveniadas. Com isso, hoje, há mais vagas abertas do que crianças aguardando.



Publicar comentário