Chocolate mais caro e mudança no consumo marcam vendas de Páscoa em 2026
A Páscoa movimenta o comércio e mantém o chocolate como protagonista da data, mas com desafios para os empreendedores. Neste ano, comerciantes relatam que, os consumidores estão trocando ovos maiores por compras menores e agradando a todos. No Entorno do DF, lojistas relatam impacto direto do aumento nos preços, que pode ter influenciado o comportamento do consumidor neste ano. O 5º dia útil ocorrendo após a Páscoa, também impacta diretamente, visto que as pessoas não tendo dinheiro em mãos, repensa mais o desejo de compra do doce.
O Jornal Opção Entorno conversou com a confeiteira e empreendedora Janielle Samuel, que atua há 8 anos em Luziânia, com uma doceria especializada em produtos temáticos de Páscoa. Segundo ela, a produção foi reduzida em 2026 diante de uma expectativa mais cautelosa. “A data não foi tão atrativa comercialmente, porque muitas pessoas recebem até o quinto dia útil, que neste ano ocorre depois da Páscoa. Isso reflete diretamente nas vendas”, explica. A empreendedora explica que, a produção neste ano diminui cerca de 40%, porém, tem estoque garantido para atender a demanda e se houver necessidade de reposição.
Entre os produtos mais tradicionais, os ovos de colher — que já foram destaque em anos anteriores — perderam espaço. Com preços que variam de R$ 10 a R$ 130, a variedade segue ampla, mas o comportamento do consumidor mudou.
Para driblar a retração, a empreendedora apostou em estratégias de marketing, como a decoração temática da loja, com elementos do simbolismo cristão e personagens como coelhos, além de promoções em lives nas redes sociais.
A diversidade de produtos também foi uma das apostas para alcançar diferentes públicos. “A gente busca atender todo mundo. Tem opções mais acessíveis e também itens mais elaborados. Todo mundo tem o direito de consumir algo de qualidade”, afirma.
Entre os itens oferecidos estão bombons gourmet, ovos de colher, trufados, barras de chocolate, brownies, kits infantis e lembrancinhas. O público infantil, segundo Janielle, é o principal foco das vendas, com kits a partir de R$ 60.
O cenário de preços mais elevados ajuda a explicar o comportamento mais cauteloso do consumidor. De acordo com a Fundação Getulio Vargas (FGV), os preços de bombons e chocolates subiram 16,71% em 2026.
A Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab) ressalta que o valor final não depende apenas do cacau. Custos com leite, açúcar, frete — especialmente com transporte refrigerado — e a variação do dólar também influenciam os preços.
Apesar dos desafios, a expectativa do setor é positiva. Segundo o gerente de Negócios e Relacionamento da CDL Goiânia, Wanderson Lima, a data deve registrar crescimento nas vendas em relação ao ano anterior. “A Páscoa tem um forte apelo emocional, o que estimula o consumo mesmo em um cenário de preços mais altos”, destaca.
Levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em parceria com o SPC Brasil aponta que cerca de 106,8 milhões de consumidores devem ir às compras neste período em todo o país, reforçando a relevância da Páscoa para a economia.
Mesmo com oscilações nas vendas, o chocolate segue como símbolo central da data e mantém sua força no comércio, adaptando-se ao bolso e às preferências do consumidor.



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