Casos recentes de transporte pirata envolvem morte e superlotação entre o DF e o Entorno e preocupa autoridades
O transporte pirata continua acontecendo entre o Distrito Federal e cidades do Entorno, mesmo com o aumento da fiscalização. Na Rodoviária do Plano Piloto, usuários e taxistas relataram que houve redução no número de vans clandestinas, mas que carros particulares ainda oferecem viagens informais para regiões como Planaltina, Sobradinho e municípios vizinhos.
Um taxista que trabalha no local conversou com a equipe, mas preferiu não se identificar por medo de estar exposto todos os dias em um espaço público e movimentado. Segundo ele, a fiscalização trouxe mudanças. “Reduziu bastante o número de vans fazendo transporte clandestino. A fiscalização aumentou bastante, então não está havendo muito”, afirmou. Apesar disso, ele relatou que o transporte irregular ainda acontece com carros comuns. “Muitas vezes é aquele carro de passeio que encosta próximo da parada e diz que está indo para Planaltina ou Sobradinho e vai pegando passageiros de maneira informal”, disse.
O superintendente de fiscalização da Agência Nacional de Transportes Terrestres, Hugo Rodrigues, alertou sobre os riscos do transporte clandestino. “No serviço clandestino, além da falta de habilitação para aquele tipo de serviço, é verificado pneu careca, extintor vencido, para-brisa trincado e uma série de irregularidades”, afirmou. Ele explicou que, diferente das empresas regulares, não há controle sobre o tempo de descanso dos motoristas. “Na empresa regular existe toda uma escala de trabalho e o descanso do motorista é garantido”, disse.
A orientação é que os passageiros verifiquem se a empresa possui autorização. “É importante que o usuário possa cobrar da empresa e pedir a licença da viagem, que é o documento que garante que aquela viagem está regular”, explicou o superintendente. Em caso de suspeita, a denúncia pode ser feita pelo telefone 166.
Os últimos dados da Associação Nacional das Empresas de Transportes Rodoviários de Passageiros mostram que o transporte irregular tem impactado o sistema formal, principalmente nas ligações entre o DF e o Entorno. Apenas na linha entre Planaltina (GO) e Brasília, o número de passageiros caiu de 22 mil por dia, em 2018, para pouco mais de 12,5 mil em 2025. Atualmente, mais de 4 mil pessoas organizam viagens em vans e carros particulares por aplicativos.
Quem utiliza o transporte irregular afirma que a escolha está ligada à rotina, ao preço e às condições do transporte regular. A farmacêutica Maria Aparecida Silva, 32 anos, moradora de Cidade Ocidental, contou que já utilizou esse tipo de transporte e relatou problemas com os ônibus. “A gente pega porque os ônibus do Entorno são sucateados, o preço das vans é mais barato e deixam mais próximo de casa, além da maioria ter ar condicionado, ai eu te pergunto? você como repórter? vai preferir pegar qual transporte. Os ônibus só tem aumento e os motoristas são mal educados. Outro dia um nem esperou eu entrar direito, meu chinelo ficou para fora do ônibus e ele teve que parar para pegar, é um absurdo, ainda mais com esse último aumento”, disse.
O reajuste mencionado por Maria é de 2,546% foi aprovado pela ANTT no último dia 12 de fevereiro. Com isso, algumas passagens podem chegar a R$ 12,35, dependendo do trajeto. Este é o segundo aumento em menos de cinco meses. Em setembro de 2025, as tarifas já tinham sido reajustadas em 2,9%. Segundo a agência, o reajuste é resultado de um processo técnico previsto em norma e necessário para garantir a continuidade e o funcionamento do serviço.
Casos recentes reforçam o alerta. Um acidente na BR-020 deixou cinco pessoas mortas e 11 feridas após uma van clandestina bater na traseira de um caminhão. O motorista do caminhão, Éder Elinaldo Costa, disse que ouviu o momento da colisão. “Eu escutei uma freada e, quando olhei no retrovisor, ele já tinha batido lá atrás”, afirmou.
A ANTT informou, em nota, que o veículo envolvido no acidente não tinha autorização e era considerado irregular e clandestino. A agência afirmou que abriu processo de apuração.
Em outro caso, a Polícia Rodoviária Federal flagrou uma van irregular com 25 passageiros, mesmo tendo capacidade menor. O motorista foi detido e responderá por exercício irregular da profissão.
Autoridades reforçam que a fiscalização busca preservar vidas e evitar que passageiros utilizem veículos sem autorização, principalmente nas viagens entre o Distrito Federal e o Entorno, onde a prática ainda é registrada.



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