Projeto da UnB leva laserterapia para UTIs neonatais do DF e busca tornar recuperação de bebês mais segura

Projeto da UnB leva laserterapia para UTIs neonatais do DF e busca tornar recuperação de bebês mais segura

Por Cintia Ferreira

Uma pesquisa desenvolvida pela Universidade de Brasília (UnB) está levando o uso de laserterapia e ultrassonografia para unidades de terapia intensiva neonatal (UTIs neonatais) do Distrito Federal. O projeto, chamado Luar sigla para laserterapia e ultrassonografia na assistência ao recém-nascido busca tornar o tratamento de bebês prematuros e recém-nascidos em estado crítico mais seguro, menos invasivo e com recuperação mais rápida.

A iniciativa é coordenada pela professora e pesquisadora Laiane Medeiros Ribeiro, da Faculdade de Ceilândia da UnB, com apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF). Os recursos foram utilizados na aquisição de equipamentos, compra de insumos, capacitação de profissionais e desenvolvimento de protocolos clínicos voltados ao cuidado neonatal.

Segundo a pesquisadora, o objetivo do projeto é aproximar tecnologia, ciência e assistência hospitalar para melhorar o atendimento aos recém-nascidos internados em UTIs. “Nosso objetivo nunca foi apenas incorporar tecnologia, mas tornar o cuidado mais seguro, preciso e menos doloroso para os recém-nascidos”, afirmou Laiane Ribeiro.

Uma das principais frentes da pesquisa avalia o uso da laserterapia de baixa intensidade em bebês submetidos a cirurgias relacionadas a doenças graves, como gastrosquise, enterocolite, obstruções intestinais e anomalias anorretais. A técnica utiliza feixes de luz com potência reduzida para estimular a regeneração dos tecidos e acelerar a cicatrização de forma não invasiva.

De acordo com a equipe responsável, os primeiros resultados apontam redução de inflamações, menos desconforto para os pacientes e diminuição do tempo de internação hospitalar fator considerado importante em UTIs neonatais, onde a permanência prolongada pode aumentar riscos à saúde dos bebês.

Outra etapa do projeto investiga o uso da ultrassonografia durante a inserção do chamado Picc, um cateter utilizado em recém-nascidos em estado grave para administração de medicamentos e alimentação intravenosa por longos períodos. A tecnologia permite que os profissionais visualizem os vasos sanguíneos em tempo real durante o procedimento, aumentando a precisão e reduzindo o número de punções.

Segundo a pesquisa, a utilização do ultrassom também pode diminuir complicações como hematomas, tromboses e falhas no posicionamento do cateter, além de reduzir a exposição dos recém-nascidos à radiação causada por exames tradicionais de confirmação.

Os estudos foram realizados diretamente em UTIs neonatais de hospitais públicos de referência no Distrito Federal, acompanhando os bebês durante todo o período de internação. Além da aplicação clínica, o projeto também contribuiu para a formação de estudantes, especialistas, mestres e doutores envolvidos nas pesquisas.

Os resultados já começaram a ser apresentados em congressos científicos e publicados em revistas especializadas. A expectativa da equipe é ampliar os estudos, consolidar protocolos clínicos e expandir o uso das tecnologias para outras condições neonatais. “A tecnologia, aliada ao cuidado humanizado e à liderança da enfermagem, pode transformar a neonatologia”, destacou Laiane Ribeiro.

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