CBO lança campanha nacional e alerta para diagnóstico tardio do glaucoma no Brasil

CBO lança campanha nacional e alerta para diagnóstico tardio do glaucoma no Brasil

O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) lançou nesta segunda-feira (4) a campanha nacional “24 Horas pelo Glaucoma”, com a divulgação de dados sobre o cenário da doença no Brasil. A iniciativa traz informações sobre diagnóstico, acesso ao tratamento e impacto no sistema de saúde, com participação da presidente da entidade, Maria Auxiliadora Frazão.

Ao longo do mês de maio, a campanha promove ações de conscientização em todo o país sobre o glaucoma — doença silenciosa que é a principal causa de cegueira irreversível no mundo. Em 2026, a mobilização foi ampliada e passa a adotar o conceito de “24 dias de cuidado e conscientização”, com atividades em diversas regiões, produção de conteúdos educativos e articulação com sociedades estaduais de oftalmologia.

Sem sintomas nas fases iniciais e com perda visual irreversível, o glaucoma ainda enfrenta o desafio do diagnóstico tardio. Segundo o CBO, cerca de 76 milhões de pessoas vivem com a doença no mundo, muitas sem saber que têm o problema.

Dados apresentados pela entidade mostram desigualdade no acesso aos exames. No centro-oeste, Goiás se destacou com volume expressivo de exames, foram realizados 399.136 exames, enquanto o Distrito Federal, apenas 12.432, apresentando uma das menores coberturas do país, com 265 exames a cada 100 mil habitantes. “Apesar da evolução no volume de exames, o acesso ainda é desigual entre as regiões”, afirma Maria Auxiliadora Frazão. Segundo ela, o CBO atua para ampliar o atendimento especializado e defende a inclusão da oftalmologia também na Atenção Primária. “No caso do glaucoma, que evolui de forma silenciosa, aproximar o rastreamento da população é decisivo para evitar a perda de visão”, diz.

A campanha também busca estimular a realização de exames e fortalecer o debate sobre políticas públicas voltadas ao enfrentamento da doença. O diagnóstico precoce é considerado essencial, já que a perda visual causada pelo glaucoma é permanente.

A programação segue até o fim de maio e será encerrada nos dias 27 e 28, em Brasília, com uma agenda institucional que inclui sessões solenes, audiências públicas e ações junto a parlamentares.

Além das atividades nacionais, a campanha ocorre de forma descentralizada, com ações educativas e mobilizações locais em diversas cidades brasileiras, ampliando o alcance das informações e incentivando a população a procurar atendimento nos serviços de saúde.

Tratamento

No Brasil, o tratamento do glaucoma é ofertado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2008, com a criação do Programa de Atenção ao Paciente Portador de Glaucoma, instituído pela Portaria 288 do Ministério da Saúde por recomendação do CBO. A política garante o acesso a colírios de 1ª, 2ª e 3ª linhas, fundamentais para controlar a pressão intraocular e evitar a progressão da doença. O uso é contínuo e exige disciplina: os pacientes devem aplicar os medicamentos diariamente e retirá-los a cada três meses em pontos autorizados, mediante apresentação de documentação específica. Só em 2025, foram registradas mais de 1,4 milhão de dispensações desses colírios, o que corresponde ao acompanhamento de cerca de 350 mil pessoas — um esforço considerado decisivo para reduzir os casos de cegueira provocados pelo glaucoma no país.

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