Maior chacina do DF: Justiça condena cinco réus após seis dias de júri em julgamento histórico
*Por Cintia Ferreira
O Tribunal do Júri de Planaltina, no Distrito Federal, concluiu o julgamento considerado o mais emblemático da história recente da capital: o caso da maior chacina já registrada no DF. Após seis dias de sessões, os cinco réus acusados de assassinar 10 pessoas da mesma família foram condenados por diversos crimes, incluindo homicídio qualificado, sequestro, roubo e ocultação de cadáver, neste sábado (18).
O julgamento começou no dia 13 de abril de 2026 e se estendeu por quase uma semana, com depoimentos de testemunhas, interrogatórios dos acusados e debates entre acusação e defesa. Ao todo, 18 testemunhas foram ouvidas ao longo do processo, além dos próprios réus, em um dos julgamentos mais complexos já realizados na Justiça local.
Ao final do júri, os cinco acusados foram considerados culpados, com penas que, somadas, ultrapassam 1.200 anos de prisão. Saiba os detalhes das condenações:
Gideon Batista de Menezes foi condenado a 397 anos, oito meses e quatro dias de reclusão, além de um ano e cinco meses de detenção. Ele responderá por extorsão qualificada pela restrição da liberdade da vítima, extorsão mediante sequestro qualificada pelo resultado morte, corrupção de menores, ocultação de cadáver, homicídio qualificado, cárcere privado, constrangimento ilegal, associação criminosa armada e roubo majorado.
Carlomam dos Santos Nogueira foi condenado a 351 anos, um mês e quatro dias de reclusão, além de 11 meses de detenção. Os crimes incluem extorsão qualificada pela restrição da liberdade da vítima, extorsão mediante sequestro qualificada pelo resultado morte, corrupção de menores, ocultação de cadáver, homicídio qualificado, cárcere privado, constrangimento ilegal, associação criminosa armada e roubo majorado.
Horácio Carlos Ferreira Barbosa recebeu pena de 300 anos, seis meses e dois dias de reclusão, além de um ano de detenção. Ele foi condenado por extorsão qualificada pela restrição da liberdade da vítima, extorsão mediante sequestro qualificada pelo resultado morte, corrupção de menores, ocultação de cadáver, homicídio qualificado, cárcere privado, constrangimento ilegal, associação criminosa armada, roubo majorado e fraude processual.
Fabrício Silva Canhedo foi condenado a 202 anos, seis meses e 28 dias de reclusão, além de um ano de detenção. Os crimes incluem extorsão qualificada, corrupção de menores, ocultação e destruição de cadáver, homicídio qualificado, cárcere privado, constrangimento ilegal, associação criminosa armada, roubo majorado e fraude processual.
Carlos Henrique Alves da Silva foi condenado a dois anos de reclusão pelo crime de cárcere privado.
De acordo com o magistrado, apenas Carlos Henrique deverá cumprir a pena em regime semiaberto. Os demais réus iniciarão o cumprimento em regime fechado.
Os acusados respondiam por uma série de crimes graves, como homicídio qualificado, latrocínio, extorsão mediante sequestro, associação criminosa, corrupção de menores e ocultação de cadáver, o que elevou significativamente o tempo total das condenações.
O júri foi marcado pela complexidade do caso e pela quantidade de provas analisadas. No sexto e último dia, os jurados se reuniram em sessão fechada para votar cerca de 500 quesitos — perguntas técnicas que definem a responsabilidade de cada acusado. A votação começou pela manhã e se estendeu ao longo do dia, sendo concluída à noite.
Após a definição das respostas, o juiz responsável pelo caso elaborou a sentença, que foi lida ainda no mesmo dia, encerrando oficialmente o julgamento por volta das 01h de domingo.
O processo mobilizou forte esquema de segurança no fórum de Planaltina. Os réus foram levados ao local escoltados pela Polícia Penal, em comboio com viaturas e sob vigilância reforçada, para acompanhar a leitura da decisão final.
Relembre o caso
A maior chacina da história do Distrito Federal ocorreu entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023 e deixou 10 pessoas de uma mesma família mortas, incluindo três crianças.
Segundo as investigações, o crime foi planejado com antecedência e teve como principal motivação a disputa por bens das vítimas, especialmente uma chácara avaliada em cerca de R$ 2 milhões.
A ação criminosa aconteceu ao longo de vários dias. As vítimas foram sequestradas, mantidas em cativeiro e obrigadas a fornecer senhas bancárias e transferir dinheiro. Após isso, foram assassinadas em diferentes momentos, com os corpos ocultados ou abandonados em locais distintos do DF, no Entorno e em Unaí-MG, em uma tentativa de dificultar as investigações.
O caso começou a ser desvendado após o desaparecimento de integrantes da família, o que levou à descoberta de veículos incendiados com corpos e, posteriormente, à localização de um cativeiro em Planaltina.
A brutalidade, o número de vítimas e a forma organizada da execução fizeram com que o crime tivesse grande repercussão nacional e mobilizasse forças de segurança em todo o país.
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