Justiça do DF suspende uso de área na Serrinha do Paranoá em plano de socorro ao BRB

Justiça do DF suspende uso de área na Serrinha do Paranoá em plano de socorro ao BRB

A Justiça do Distrito Federal suspendeu o uso ou a venda da chamada Gleba A, na Serrinha do Paranoá, como garantia para operações financeiras do Banco de Brasília (BRB). A decisão foi proferida na noite deste domingo (22) e atende a um pedido de parlamentares do Partido Verde (PV).

A área, localizada entre o Varjão e o Paranoá, é considerada ambientalmente sensível e integra o plano de capitalização do banco aprovado pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).

Serrinha do Paranoá é uma área de preservação ambiental e com mais de 100 nascentes. Foto: Reprodução/ Google Maps

Risco ambiental e prejuízo ao patrimônio

Na decisão, o juiz Carlos Frederico Maroja destacou a relevância ecológica da região e o risco de prejuízo ao patrimônio público caso a área fosse negociada de forma apressada. “Defiro a tutela provisória de urgência, para cominar aos réus a proibição de efetivar todo e qualquer ato de alienação, oneração ou oferta da chamada Gleba A da Serrinha do Paranoá, sob pena de multa no valor de R$ 500 milhões”, diz o despacho.

O magistrado também ressaltou que a área é remanescente do bioma Cerrado e faz parte de um corredor ecológico importante para a fauna silvestre.

Especialistas apontam que a Serrinha do Paranoá é um importante manancial hídrico do Distrito Federal e da região Centro-Oeste. Estudos indicam que o local abriga mais de 100 nascentes já mapeadas.

A Gleba A está incluída na lei de recuperação econômico-financeira do BRB, aprovada recentemente pelos deputados distritais. O projeto prevê o uso de imóveis públicos como forma de reforçar o caixa da instituição.

A suspensão judicial atinge diretamente esse ponto da proposta, considerado um dos principais ativos envolvidos no plano.

Governo vai recorrer e critica oposição

O Governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB) informou que vai recorrer da decisão. O chefe do Executivo também rebateu críticas sobre suposta falta de empenho na condução da crise do banco. “O que me espanta é a falta de compromisso dos autores com o BRB”, afirmou. “Todos de oposição só estão pensando nas eleições. Eu fiz minha parte arrumando a saída viável”, completou.

A decisão judicial amplia a disputa em torno do plano de socorro ao BRB, que vem sendo alvo de questionamentos por parte de parlamentares e especialistas, principalmente em relação ao uso de áreas públicas consideradas estratégicas.

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