Malharias do DF participam de orientação sobre acesso ao crédito para produção de uniformes escolares | ASN Distrito Federal
A preparação para atender à demanda da rede pública de ensino já começou a mobilizar o setor de vestuário no Distrito Federal. Na noite da última quinta-feira 12 de março, empresários do segmento de malharias participaram, na sede do Sebrae no DF, no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), de uma orientação sobre acesso ao crédito voltada à produção de uniformes escolares que deverão abastecer as escolas públicas a partir de 2027.
O encontro reuniu empreendedores interessados em atuar na fabricação dos kits escolares e teve como objetivo aproximar esses empresários de instituições financeiras parceiras, além de apresentar orientações sobre planejamento financeiro, organização documental e estruturação de projetos para acesso a financiamento.
Durante a programação, representantes das cooperativas de crédito Sicoob e Sicredi apresentaram linhas de financiamento disponíveis para o setor. Também foram discutidos temas relacionados à preparação para o diálogo com instituições financeiras, como organização contábil, separação entre contas pessoais e empresariais, planejamento de custos e definição clara do valor necessário para investimento.
A atividade integra um movimento preparatório para uma rodada de crédito prevista para 14 de abril, quando bancos e cooperativas deverão se reunir diretamente com os empresários interessados em financiar a produção de uniformes escolares. A expectativa é reunir cerca de 45 empresas, com prioridade para os empreendedores que participaram da orientação inicial nesta quinta-feira.
Para a presidente do Sindicato das Indústrias de Vestuário no Distrito Federal (Sindveste/DF), Walquiria Aires, o acesso ao crédito é um dos principais desafios para viabilizar a produção em escala exigida pelo programa de uniformes escolares. Segundo ela, o planejamento antecipado busca garantir que as empresas estejam preparadas para iniciar a produção no segundo semestre.
“Uma das questões que os empresários mais colocaram para nós quando começamos a falar da fabricação dos kits, foi a necessidade de recurso para a compra de insumos. Buscar parceiros que possam ajudá-los nessa produção dos uniformes já para 2027 tem isso a nossa maior preocupação”, ponderou.
De acordo com Walquiria, o cronograma de produção exige organização prévia. A previsão é que as malharias iniciem a fabricação entre setembro e novembro, período estimado em cerca de 90 dias de produção, seguido por três meses de comercialização – dezembro, janeiro e fevereiro.
“Hoje estamos falando de aproximadamente 2,8 milhões de peças para atender a rede pública. Também temos a demanda do Colégio Militar e estamos iniciando conversas para incluir as creches nesse projeto. Ou seja, há muito trabalho pela frente”, explicou.
Para facilitar o acesso ao crédito, a articulação com o Sebrae incluiu a apresentação do FAMPE (Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas), mecanismo que pode garantir parte do financiamento solicitado pelos empreendedores.

“Esse fundo pode garantir até 80% do valor do crédito solicitado pelas micro e pequenas empresas, em financiamentos que podem chegar a cerca de 400 mil reais. No caso de empresas lideradas por mulheres, essa garantia pode chegar a 100% do valor solicitado”, detalhou Walquiria.
A orientação também contou com apoio técnico do Sebrae no DF, por meio do projeto Conexão Financeira, iniciativa voltada à educação financeira e ao acesso responsável ao crédito.
De acordo com Ewerton Valois, analista da Gerência de Atendimento Personalizado (GAPE) do Sebrae no Distrito Federal e gestor do projeto, o foco da ação é ajudar os empresários a compreenderem não apenas como obter financiamento, mas como utilizá-lo de forma estratégica.

“O Sebrae orienta o empresário sobre a possibilidade de acessar crédito, mas também sobre a necessidade de se preparar para isso. Às vezes, inclusive, nem é necessário pegar crédito naquele momento. O importante é entender se a empresa realmente precisa e se está preparada para assumir esse compromisso”, afirmou.
Ele explica que a rodada de crédito prevista para abril será dedicada especificamente ao setor de vestuário. “Vamos convidar bancos e cooperativas para conversar diretamente com esses empresários e apresentar as opções de financiamento disponíveis. O objetivo é preparar essas empresas, porque no segundo semestre muitos vão precisar de crédito para capital de giro, compra de máquinas, equipamentos e insumos”.
Além das orientações financeiras, a iniciativa busca fortalecer a cadeia produtiva do vestuário no Distrito Federal e ampliar a participação de empresas locais na fabricação dos uniformes escolares. “Não se trata apenas de pegar o recurso, mas de saber como utilizá-lo de forma estratégica e sustentável para o crescimento do negócio”, concluiu Valois.
Créditos das Notícias Sebrae DF



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