Justiça manda paralisar loteamento irregular após ação do Ministério Público de Goiás em Luziânia

Justiça manda paralisar loteamento irregular após ação do Ministério Público de Goiás em Luziânia

Uma decisão liminar concedida nesta segunda-feira (2/3) determinou a interrupção imediata das atividades de um loteamento que funciona de forma irregular na região de Três Barú, nas proximidades do reservatório da usina de Corumbá, em Luziânia. A medida atende a pedido do Ministério Público de Goiás (MPGO), que aponta uma série de ilegalidades na implantação e comercialização dos lotes.

De acordo com a ação civil pública apresentada pelo órgão, o empreendimento, conhecido como Recanto do Lago, também chamado de Loteamento Corumbá, estaria operando sem qualquer tipo de autorização legal desde pelo menos 2015. Investigações administrativas indicaram a ausência de licenciamento ambiental, falta de aprovação do município, inexistência de registro imobiliário e problemas estruturais que impedem a oferta regular de serviços básicos.

Informações técnicas repassadas pela Saneago e pela Equatorial Energia apontam, inclusive, a inviabilidade de abastecimento de água, esgotamento sanitário e fornecimento de energia elétrica na área. Em março deste ano, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente também autuou os responsáveis e determinou o embargo das atividades.

Ao analisar o caso, a Justiça entendeu que há indícios suficientes de irregularidades e risco tanto ao meio ambiente quanto a compradores de boa-fé. Por isso, proibiu a continuidade das vendas, promessas de negociação, novas construções, obras de terraplanagem, retirada de vegetação e qualquer tipo de divulgação publicitária do loteamento.

A decisão também impede a cobrança de parcelas de contratos já firmados até que a situação seja regularizada. Os responsáveis deverão instalar placas informando a condição irregular do empreendimento, retirar anúncios — inclusive das redes sociais — e apresentar à Justiça a relação de contratos celebrados ou depositar judicialmente os valores já recebidos.

Outras determinações incluem a comunicação aos cartórios de registro de imóveis para anotação do embargo, a proibição de lavratura de escrituras pelos tabelionatos locais e a suspensão de novas ligações de água e energia por parte da Saneago e da Equatorial.

No andamento do processo, o MPGO pede a regularização total da área ou, se isso não for possível, a desconstituição do loteamento, com recuperação ambiental e ressarcimento aos consumidores prejudicados. O órgão também requer indenização por danos morais coletivos de, no mínimo, R$ 500 mil, a ser destinada a ações de recuperação do reservatório.

A reportagem tentou contato com os proprietários ou responsáveis pelo loteamento, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestação.

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