Gama perde nos pênaltis para o Goiás, em casa
– Continua após a publicidade –
Não apto para cardíacos, o Gama fica pelo caminho na segunda fase da Copa do Brasil. Nesta quarta-feira (25/2), o quadro gamense teve ótimo desempenho em 90 minutos, mas caiu nos pênaltis por 5 a 4, após empatar no tempo normal por 2 a 2, no Estádio Bezerrão.
Um verdadeiro clássico foi vivido no sul do DF. O Gama exibiu sua melhor faceta no ano, como indício, sobretudo na criatividade ofensiva, de que pode aspirar a boas e maiores coisas. Outra prova foi não ter se abatido ao gol de abertura do placar, mostrando a resiliência da equipe. No segundo tempo, a baixa de rendimento deixou o visitante com poucas oportunidades e com o letal mandante conseguindo sua hora de virar o jogo, bem como um insistente que veio buscar o empate e forçar penalidades.
Clique e leia mais:
Nem tu, nem eu!
Aqui é onde a crônica se separa da notícia. 18h30, ainda no trânsito do Balão do Periquito: um clássico do Centro-Oeste se aproximava com vento de chuva, que ficou apenas no campo da ameaça. Na chegada ao estádio, a dificuldade de encontrar vaga de estacionamento se misturava ao clima amistoso e já conhecido entre as duas torcidas. Uma Festa Junina em pleno final de fevereiro, que teria ingredientes e fogueira no Walmir Campelo Bezerra.
O começo da festividade teve intensidade e choque físico, na luta inicial pelo meio-campo. O Gama até ousou fazer uma primeira marcação mais alta, forçando erros de passe na origem das jogadas. Apesar do público chegar para assistir a dança das quadrilhas, a coreografia ao andar prematuro do primeiro tempo não era atrativa, mas desengonçada. Os embates insistiam, mas a tônica eram os erros de passe, tirando algo da beleza do confronto.
Os ânimos da noite só surgiram aos 14, quando Renato ajeitou bom passe para Felipe Clemente bateu rasteiro e cruzado com a destra, exigindo excelente defesa de Tadeu. Sem dúvida o mais recente ídolo esmeraldino seria um problema para o Gamão nesta noite. A trama do meio gamense se mostrou muito mais efetivo, no que foi claramente o melhor jogo em criação do atual campeão candango. Aos 19, outra excelente chegada: Renato cruzou para a área e foi interceptado, com corte para a porta da área. Lá estava Lúcio que, de tamanho capricho, mandou a bola no pé da trave esquerda do goleiro do time goiano.
O Gama era melhor. Até baixou algo de ritmo diante de um clube da segunda divisão nacional – e só neste momento, próximo aos 20, se notou esta diferença – quando recebeu algo de pressão. Era infrutífero frente ao improviso que fazia do Gama jogar algo mais bonito, ou, ao menos, plástico. Aos 27, nova investida local, quando Ramon (também em boa noite) cortou três marcadores para bater rasteiro, fraco e fácil à direita de Tadeu.
No minuto seguinte, veio o anticlímax: após corte de Lucas Piauí, Diego Caito, nota mais positiva do Esmeraldino até então, teve liberdade para receber do lado direito da área e cruzar rasteiro para o experiente e incansável Anselmo Ramon tirar do goleiro Leandro e abrir o placar. O gol do Goiás baixou todo o ímpeto gamense, com Felipe Clemente mostrando clara insatisfação com os companheiros após cometer falta em um dos zagueiros adversários aos 36, fruto de um passe errado vindo de Ramon, por elevação.
A rodagem e qualidade dos atletas goianos pareciam invalidar o descanso que os titulares gamenses tiveram no último fim de semana. Algo funcionava para os mandantes quando o Goiás acelerava pelo meio, facilitando os botes dos locais. Foi dessa forma que Clemente bateu a carteira de Diego Caito e aproveitou da atual estrela para bater ao gol, da entrada da área, aos 41, parando no travessão. Aos 46, Tadeu errou na saída de bola e Lúcio errou passe primoroso que renderia ótima chance de gol de David.
O volante gamense deu uma verdadeira aula de assistência justo no minuto seguinte. Lançou a Ramon da própria intermediária para a ponta esquerda de forma espetacular: o atacante saiu habilitado nas costas de Diego Caito e encheu o pé, entre as pernas de Tadeu, para dar maior justiça ao que disse respeito a primeira etapa.
Desleixo, delírio e desilusão
A expectativa pelo segundo tempo era alta devido a como o primeiro tempo se finalizou. Entretanto, todo aquele fervor se aquietara no intervalo, com dois times que surgiram jogando muito mais burocraticamente. Aquela mesma batalha física do começo do jogo se repetia, com o Goiás buscando ter mais posse de bola no campo de ataque, ainda que sem efetividade e como novidade uma maior presença na saída de bola, no campo gamense.
A etapa complementar baixou a toada do muito bom confronto. Talvez a resposta viesse do banco. Juninho, pelo Esmeraldino, teve o primeiro arremate da parcial, aos 16 minutos, por cima da meta. Ainda assim, a partida se arrastou e um aceite pelo empate e pela queda no nível parecia mais aceita no trecho intermediário da etapa final. As defesas se aperfeiçoaram diante de qualquer tentativa de investida, de ambos lados.
Aos 28, surgiu a primeira boa chance do time da casa. Luisão, pressionado, errou passe e deu a bola em Felipe Clemente, que tabelou com Renato, se livrou de três marcadores pela direita e bateu fraco, cruzado e rasteiro. Caso Tadeu não tivesse interceptado, Ramon apareceria livre desde a segunda trave para virar o jogo. Quatro minutos mais tarde, David voltou a dar seu toque de maestria: até tinha servido Renato em ótimo passe, mas, frustrado o contra-ataque, se serviu na entrada a área para arriscar de esquerda, contar com desvio na defesa, iludir Tadeu e levar o Bezerrão à loucura com a virada.
Aos 37, em nova saída errada do Goiás, Ramon arriscou ao lado da meta, contando com desvio que desta vez salvou o Esmeraldino. No minuto seguinte, houve polêmica: Michel fez falta rente à linha da área, em que a arbitragem determinou como falta fora do terreno penal. A discussão com o colegiado gerou um breve entrevero, logo resolvido. A obrigação moral de pressão dos goianos era rechaçada pela concentrada e competente marcação gamense.
Aos 43, a euforia reverteu-se de lado. Esli García foi lançado primorosamente por Jean Carlos dentro da área, cara a cara com Leandro: o venezuelano sofreu pênalti, mas Cadu teve vantagem, dada pela arbitragem e fez o gol com a meta vazia. O latino quase viraria aos 46, recebendo dentro da área e deslocando o goleiro gamense, que desta vez realizou excepcional defesa. Repletos de aplausos, os dois times partiam para definir a vaga nos pênaltis.
Converteram para o Gama: Luan, Henrique Almeida, Darlan, Michel. No Goiás, marcaram Tadeu, Lucas Lima, Lourenço, Esli García, Nicolas. Fechando toda a série normal, Lucas Piauí até bateu bem, rasteiro, para sua direita, mas parou num goleiro do calibre de Tadeu, que fechou a classificação. Fecha-se a quermesse gamense nesta Copa do Brasil, escorrida pelos dedos. É fato que os goianos estão a um (ou alguns, se quiserem) níveis acima, mas este Gama promete mais para o largo desta temporada.
O que vem por aí
Agora, o Periquito se concentra na última rodada do Candangão: no sábado (28/2), às 16h, visita o Capital no JK. Pelo Campeonato Goiano, o Goiás também joga no mesmo dia, em casa, pela volta da semifinal, às 16h, contra a Anapolina, pós os 2 a 2 da ida. Na terceira fase da Copa do Brasil, o Goiás enfrenta o vencedor de Trem-AP ou Fluminense (que se enfrentam no dia 5/3, em Macapá) no dia 11 ou 12 de março.
Gama 2
Leandro; Michel 🟨, Darlan, Zulu (PV) e Lucas Piauí; Lúcio, Russo (Henrique Almeida), Renato 🟨 e David 🟨⚽ (Lucas Lourenço); Ramon ⚽ (Luan) e Felipe Clemente 🟨; Técnico: Luís Carlos Carioca
Goiás 2
Tadeu; Diego Caito (Rodrigo Soares), Luiz Felipe, Luisão e Nicolas; Lucas Rodrigues (Juninho 🟨, substituído por Brayann), Filipe Machado (Esli García), Lourenço, Jean Carlos e Lucas Lima 🟨; Anselmo Ramon ⚽ (Cadu ⚽); Técnico: Daniel Paulista
– Publicidade –



Publicar comentário