Num ambiente radiativo, com desgaste de Celina e Ibaneis, bolsonarismo pode apoiar Arruda ou lançar candidato pelo PL
O bolsonarismo, o de Michelle Bolsonaro — pré-candidata a senadora —, livrou-se do ex-governador Ibaneis Rocha, do MDB, e não o aceita na chapa majoritária. O ex-governador planejava disputar mandato de senador na chapa com o pP da governadora do Distrito Federal, Celina Leão, e com o PL da mulher do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Porém, Michelle Bolsonaro foi peremptória: não aceita participar numa chapa como candidata-parceira de Ibaneis Rocha. Do ponto de vista político, foi um tiro no coração do grupo de ex-governador.
Por causa do Banco Master & Daniel Vorcaro, o que se comenta é que Ibaneis Rocha se tornou altamente radiativo. O principal foco da delação premiada do ex-presidente do Banco de Brasília Paulo Henrique Costa será Ibaneis Rocha. Ele dirá, tudo indica, que cumpria ordens do então governador. Estaria bem documentado.
A turma de Ibaneis não aceita a história de que é radiativo e menciona o “radiativo” Flávio Bolsonaro, pré-candidato a presidente da República pelo PL. Por que o filho de Jair Bolsonaro pode ser candidato e o ex-governador “tem” de recuar da disputa para o Senado? Vale lembrar que, inquirida sobre a relação entre o bolsonarismo e Daniel Vorcaro, Michelle Bolsonaro disse que qualquer pergunta deveria ser feita a Flávio Bolsonaro, e não a ela.

Noutras palavras, Michelle Bolsonaro está se desvinculando, de uma só vez, tanto de Flávio Bolsonaro quanto de Ibaneis Rocha. O motivo é prosaico: pode acabar sendo a candidata do PL a presidente da República e quer apoiar candidatos, ou candidatas, não radiativo para o governo e para o Senado no DF.
Publicamente, as relações entre Michelle Bolsonaro e Celina Leão são cordiais. Nos bastidores, o que se comenta é que a ex-primeira-dama está se afastando da governadora. Porque tem informações sobre seu suposto relacionamento com o Banco Master. Paulo Henrique Costa promete fazer revelações sobre a líder do pP em Brasília, uma espécie de primeira-amiga do presidente nacional do pP, Ciro Nogueira, no Distrito Federal. O senador do Piauí é altamente radiativo.

Então, o bolsonarismo, a facção michellista, pode lançar um candidato a governador no Distrito Federal? Pode, mas não se sabe quem. É uma possibilidade a considerar. Seria o senador Izalci Lucas, do PL? A corrente bolsonarista-michellista não tem apreço pelo veterano. Mas ele tem defendido o bolsonarismo de maneira vigorosa.
O fato é que o radiativo Ibaneis Rocha, ao levar um chega-pra-lá da governadora do DF, decidiu dar um recado à quase-radiativa Celina Leão. O ex-governador reuniu sua turma e convocou o presidente nacional do MDB, deputado federal Baleia Rossi, para informar que o MDB pode lançar candidato a governador do DF. Citou-se até o nome do empresário Rafael Prudente (que já respondeu a processo judicial). Na reunião, um aliado de Ibaneis Rocha brincou: “O MDB tem de lançar ao menos um Piaba para governador”. Baleia Rossi teria dado um sorrisinho sem graça.

Nas reuniões com aliados, Celina Leão diz que será candidata à reeleição, independentemente de Ibaneis Rocha. Mas vai postular o governo do DF se perder o apoio de Michelle Bolsonaro? Muito difícil.
O desenho da chapa governista é, no momento, o seguinte: Celina Leão para governadora e Michelle Bolsonaro e Bia Kicis para o Senado. Desenho que pode ser desmanchado amanhã, dependendo das denúncias contra a governadora. Quem seria o vice desta chapa? Não se sabe. Pode ser Fred Linhares? O deputado não parece entusiasmado.

O Jornal Opção chegou a ouvir de dois pastores evangélicos de Brasília, próximos de Michelle Bolsonaro, que não será surpresa se, na agora agá, a mulher de Jair Bolsonaro ser efetivada como candidata a governadora. Fala-se também na possibilidade de a direita lançar a deputada federal Bia Kicis ou a senadora Damares Alves para governo.
De acordo com duas fontes brasilienses, a possibilidade de o PL compor com José Roberto Arruda, do PSD, não é mais remota. A chapa poderia ser composta assim: José Roberto Arruda para governador, Izalci Lucas (PL) para vice e Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL) para o Senado. É uma chapa considerada imbatível.
Fala-se em Brasília que 2026 é o momento — a hora do destino, diria Winston Churchill — de José Roberto Arruda. “O povo, os políticos e até os prefeitos do Entorno de Brasília apostam em Arruda”, afirma um brasiliense que lida com a política local há mais de 25 anos.

Na esquerda, o nome preferido do Palácio do Planalto é Leandro Grass, do PT. Acredita-se, no ambiente da esquerda, que a disputa de 2026, para o governo, será entre José Roberto Arruda, representando a centro-direita, e Leandro Grass, o representante da esquerda. Radiativos, Ibaneis Rocha e Celina Leão podem acabar se tornando carta fora do baralho. (Chega-se a falar em prisões iminentes de figuras coroadas da política do DF.)
No espectro da esquerda, há um pré-candidato que tem discurso afiado e sabe bater duro. Trata-se de Ricardo Cappelli, do PSB. O que lhe falta é estrutura política, quer dizer, bases eleitorais. Leandro Grass conta com mais apoios, inclusive o do presidente Lula da Silva. (E.F.B.)



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